Tautologias foneticamente enviesadas...

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Apontamentos de vida de gente e bichos comuns…

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Quando o caranguejo finalmente conseguiu curar a bebedeira, até começou a andar dif'rente…
Ele tinha uma depressão, por isso, foi para a Amazónia, em busca de psicotrópicos...
Tinham de bater vinte claras em castelo, pelo que decidiram fazer ameias...
As meretrizes tailandesas só querem BangKok…
A Lactogal tem uma sede vacante...
Na Polinésia, toda a medicina é exercida em policlínicas.

A directora do serviço de neonatologia do hospital de São João chama-se Hercília Guimarães…

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O Hindu Cuxe porque tem uma perna maior que a outra...
De quando em vez, o monte Fuji dispara um flash...
Mesmo quando Sonda bem as coisas, ele Krakatoa...
O monte Cook perguntou ao Uluru: Havai haver uma tempestade de areia? Então, não Andes das pernas, não...
O oceano é Pacífico porque senão leva porrada do Anel de Fogo...
Muçulmano nos Himalaias, K2 dois infiéis de cada vez...
Dantes, eram só cinco, mas depois nasceu mais uma, e passaram a Seychelles.

Divine Tennis...

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gam seth ex-machina!

Rol de coisas a fazer…

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Ir às compras, ao Leroy Merlin, e trazer uma espada Excalibur e madeira, para fazer uma távola redonda...
Realizar um mestrado, mudar o nome para Maco, para passar a ser reconhecido como Mestre Maço…
Quando for a uma consulta, pedir para o doutor me passar atestado, mas de sem chumbo 98, que dura mais…
Usar o meu sapato como se fosse um telefone, para ver se ele faz ecco...

Diálogos...

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- Então, onde foste nas férias?
- Fui conhecer Angola.
- Ah, que bem! E foste sozinho?
- Não. Fui c'a Binda!

Vishnu atende o telemóvel... e diz:
- Tô, Shiba!?

Mãe africana telefona ao filho e pergunta:
- Como estás?
- Somalí!

Mestre Yoda faltou nas aulas de terapia da fala
- Saber queres o ontem que fiz?
- Diz, Lexía.

Um saurópode árabe para outro:
- Ala, Dino!

Instantâneos das Letras II

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Marat et sa fin...

“O exagero é sempre a exacerbação de algo que não o é”

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Era tão esquisito, que não gostava do céu estrelado, só escalfado...
Era tão ecologista que tinha cinco pastas de reciclagem diferentes no sistema operativo: uma para ficheiros do Office, uma para vídeos e músicas, uma para imagens, uma para executáveis, e uma para outros ficheiros...
Era um tipo tão melómano, que só lia o Génesis até à altura da saída do Peter Gabriel...
Era um gato tão persa, que não cuspia bolas de pêlo, mas tapetes...

Instantâneos das Letras I

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Antero no quintal... espreitando para lá do muro de soneto

Promoções de Natal!

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“A dúvida é o princípio da sabedoria”

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Se a Costa do Marfim está virada para o Atlântico, como é que o Corno de África é banhado pelo Índico?
O anel de curso de uma hipotética licenciatura em censura teria engastada uma gema de lápis-lazúli?
O Magritte era assim por ser anoréctico, ou era genético?
O Picasso era um cidadão automobilizado?
O Monet cambiava de estilo sempre que mudava de país?
O Renoir passava duas vezes tinta preta?
O Salvador Dalí chegou alguma vez a vir para cá?
O Manet segurava o pincel numa mão, mas e a paleta, com quê?
O Chagall chegou a receber o quinto estigma?
O Delacroix usava telas em forma de x?
O Miró era pitosga ou via bem?
O Mondrian era preguiçoso, ou até era esforçado?
A Kahlo chegava creme às mãos, para amaciar?
O Caravaggio tinha velame latino?
O São Francisco de Assis veria mal, por causa do estigmatismo?
Quando o Raul Proença fundou a Seara Nova, terá sido por convicção, ou apenas para não meter foice em seara alheia?

Playstation miracle

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Ideias comerciais, Lda.

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Finitusgest – nome para uma funerária
Auto-estima – nome para uma oficina automóvel
Urbijetorbi – nome para uma companhia aérea italiana
Vestfália – nome para uma marca de preservativos
Fornicar - nome para empresa de fornecimento de peças para automóvel

Romance de cordel subaquático...

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A raia tentou uma relação com um cefalópode, mas ele era demasiado choco para ela. Só lhe dava sardinha, quando ela queria era uma sarda a cavala... acabou nas esquinas dos corais, feita chaputa...

Manifesto Anti-Magritte

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Instantâneos caribenhos...

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Barbados
República Dominicana
Antígua e Barbuda


Desacatos dos apóstolos 12:35

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Disse um cristão, prestes a ser martirizado, ao ainda Saulo, indefectível perseguidor de cristãos, antes de este empreender a sua caminhada rumo a Damasco:
- Pois que verás a luz, e te tornarás um de nós e até passarás a ser Paulo, converso à vera fé, qual aborto!
- Deixa-me rir, filho de uma rameira samaritana!
- Vai uma apóstata?

Imperativo legal

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Ficcional cincada de exegese literária

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A náusea abunda na obra de Sartre - caganifância existencialista

Idiossincrasias regionais

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Enquanto Roma permanecia, eterna, a Turquia...
Não gosto de fazer nada de nada, mas no Burkina Faso...
Enquanto em Copenhaga o futuro da humanidade está parado, no Ruanda...
Enquanto o preço do oiro sobe, o Bangladesh...
Enquanto no Vaticano te manténs casto, nas Filipinas...

5 de outubro - dia da implantação da república dominicana... *

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* com um ligeiro atraso devido a uma avaria no telégrafo...

5 de outubro - dia da plantação de repúblicas... *

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* com um ligeiro atraso devido a uma avaria no telégrafo...

Dicionário de Biturbo #24

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esteriónico (adj.) - que se ri e/ou conta piadas em estéreo...

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #23

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imparidade
quando uma pessoa está numa idade ímpar...

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #22

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emparidade (sub.):
quando uma pessoa está numa idade par: 2 anos, 4 anos, 6 anos...

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #21

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umbiguidade (sub.):
1 - característica daquele que olha sempre para o próprio umbigo; egotismo.
2 - técnica que permite descobrir a idade de alguém observando o descaimento do umbigo.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #20

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manuscriptas (adj.):
as mãos que estão fechadas.
manuscriptas (sub.):
as mãos que enterram a morte; mãos de coveiro.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)
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agora entendo as noites
os nevoeiros os sonhos
agora entendo o doce amargo
das horas nocturnas
agora entendo porque uivam os lobos
às horas de solidão
Aristides Sousa Landeira

Dicionário de Biturbo #19

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culasso (subs. neutro, ou melhor, passivo):
Aquele/a que tem o cu feito num oito de tanto lhe empurrarem as fezes para dentro.
Lê-se como colaço - criança que, em relação a outra, mamou do mesmo leite.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #18

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azeitona - o azeite, quando colocado na água, vem sempre à tona - azeitona.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #17

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hiporrino(a):
(subs.) fruto do cruzamento entre um hipopótamo e um rinoceronte.
(adj.) aquelas coisas que se sucedem mesmo debaixo dos nossos narizes e de que a gente nem se dá conta.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Gastei 12 fósforos (12!) para conseguir acender o fogão!

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Enquanto ia bebericando o leite morninho assim aquecido, ia vendo as Euronews (insónia, a quanto obrigas!), nomeadamente uma reportagem sobre as políticas ambientais da União Europeia. Está previsto que nos próximos anos se consigam atingir 20% de electricidade produzida através de meios "limpos" - energias renováveis, portanto. Na Dinamarca, já atingiram os 20%, só com a energia eólica, e até andam a pensar em começar a exportar electricidade para a Alemanha, ou outros vizinhos. Curioso pensar que, na medieva idade, se tinha de pagar pelo uso dos moinhos dos senhores, e agora alguém vai pagar mais ou menos pela mesma coisa, pelo vento e pela sua força... Se calhar, era o Quixote que tinha razão, em ver gigantes, e não moinhos, ou se calhar gigante é a potencialidade do moinho, não o moinho em si... Também curioso, e até um pouco irónico-paradoxal, foi saber que a Greenpeace levou ontem a cabo um protesto contra o uso do carvão... na Dinamarca! Pelo que consegui perceber das imagens (sem comentários), chegaram ao cais de descarga de carvão de um porto dinamarquês (cujo nome obliterei) navegando num veleiro... e depois aproximaram-se da plataforma de descarga propriamente dita num pequeno barco a motor! Lá está! Incoerência! Eu já tinha reparado que, para ecologistas fanáticos, eles usavam demasiados barcos motorizados, mas pensei, ao ver o veleiro, que as coisas tinham mudado... só que o barquito mais pequeno estragou tudo! Por que não um barco a remos, um bote, como daqueles que há no Bom Jesus de Braga, para se andar a passear? Quem também protestou ontem foram os homossexuais masculinos, no Vaticano. Nem li o teor do protesto, mas não deve andar muito longe das questões da atitude da Santa Sé para com os homossexuais no geral, e os homossexuais eclesiásticos no particular. Eu acho que eles, para fazerem as coisas em condições, tinham de apresentar uma proposta de emenda constitucional, à Bíblia, portanto... a começar pelo Génesis 1, 22, e/ou Génesis 2, 23:24. Sim, Senhor, a gente multiplica-se, mas em chegando ali perto dos seis mil milhões e qualquer coisa, podemos virar larilas... e deixamos de abandonar tudo e mais alguma coisa por causa das mulheres. O mesmo princípio para os homossexuais femininos... Eu, aliás, quer-me parecer que o beijo do Judas foi, logo ali, uma primeira proposta do género... mas ardeu, como o 12º fósforo.
Ao chegar ao fim do copo de leite, tinha passado, já se vê, por uma cabazada de temas e assuntos, o que mostra como somos bombardeados, de facto, por informação, e mais informação. Como li há uns tempos, recebemos mais estímulos informativos num dia, que o Leonardo Da Vinci na vida inteira. O que talvez justifique que ele tenha tido tantas ideias para tanta coisa, e tão antes do tempo... não perdendo horas e horas com resmas de informação, dedicou-se a criar, ele mesmo, coisas novas! Além de que, se ele quisesse um helicóptero, tinha mesmo de inventar um, não bastava telefonar... ou, melhor, inventar o telefone!

A Roda Alimentar, versão camarada José

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Legenda (sentido contrário aos ponteiros do relógio):

  • 10 senhas de racionamento para legumes e/ou fruta (cada senha, 1 couve, 1 beringela, 1 pêra...)
  • 6 senhas de racionamento para cereais e/ou leguminosas (cada senha, 1 sacola de 250 gr)
  • 2 senhas de racionamento para óleos e/ou gorduras (cada senha, 1 garrafinha de 75 cl de azeite, ou 150 gr de manteiga rançosa)
  • 3 senhas de racionamento para carnes e/ou peixe (cada senha, 1 filete de peru, 1 bife ratado, 1 posta de pescada)
  • 4 senhas de racionamento para lacticínios (cada senha, o produto diário de uma tetinha de vaca, cabra ou ovelha)

Porções calculadas para um conjunto de protelários unidos numa célula familiar, numa média de 6 elementos por unidade habitacional, de modo a garantir a subsistência durante uma semana.
A saciedade é o luxo dos burgueses e a fome dos que trabalham!!!

A revolta do mobiliário!

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"Espanha: Cama mata idosa" - título de uma, vá lá, "notícia" do Correio da Manhã.
Talvez por causa da atenção prestada à crise no imobiliário e essas tretas que se me escapam dos arames do pensamento, parece que o mobiliário decidiu vingar-se da humanidade, num claro acesso de ciúme! Só espero que os electrodomésticos não alinhem na cena, ou ainda teremos: "EUA: Frigorífico sodomiza taxista nova-iorquino"... e todos sabemos o quão corpulentos são os frigoríficos norte-americanos...

As anti-férias de um coçador manifestam-se em não haver manifestações

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Estamos a atravessar aquele que é, provavelmente, o período mais conturbado nas relações ibéricas desde que o Godoy se lembrou de pegar numa laranja e dizer que Alcanizes estava vingado. Verdade seja dita, o shôr valido até foi meiguinho, podia ter dito algumas coisas bem mais violentas, como "Toma lá, Denis, ácido ascórbico pelo teu cu acima!" Foi simpático, da parte dele, ter ido meramente pela questão diplomática e não pela via do insulto pessoal.
Claro, no entretanto houve aquelas questiúnculas aquando e após a guerra civil espanhola, porque o shôr Presidente do Conselho e o señor Caudillo não se pintavam lá muito bem um ao outro. Talvez se tivessem a veia artística do Ailittla, ou a do D. Carlos, especialistas na aguarela, se pintassem melhor [e aqui começam e acabam todas as referências a D. Carlos, que até enjoou, no início do ano, com o regicídio e mais não sei o quê!]... ainda assim, nada que se assemelhe ao actual estado de coisas.
Os moços aqui do lado mandam para Portugal têxteis, fruta, legumes, capitais, entre muitos outros produtos e serviços, e tudo com farturinha e a bom preço... e qual é a nossa principal exportação para Espanha? Índices de sinistralidade! Rara a semana em que não há notícia de mais um autocarro de turistas, ou veículo repleto de emigrantes e respectivas famílias, ou de trabalhadores deslocados, que se tenha espatifado, aumentando assim o número de acidentes, de feridos, de mortos nas estradas espanholas.
De quando em vez, lá mandamos uns jogadores da bola para La Liga, a ganharem pipas de massa para não fazerem porra nenhuma. E ainda lhes ficámos com o Euro 2004, onde chegámos mais longe, tal como no Mundial 2006, mesmo com o shôr Felipe "Handicapped" Scolari ao leme. Ok, eles ganharam o Euro 2008, mas o coitado do Ronaldo tinha uma espécie de lesão antiga no pernil que só lhe começou a doer por volta do fim de Maio... e não tinha cremes hidratantes com ele, na Suiça.
Durante as férias da Páscoa, invadimos Lloret del Mar e Barcelona com canalhada bêbada que deixa tudo em pantanas e cheio de vomitado (pórtico da Sagrada Família incluído). Quem quiser cá passar umas férias, vindo aqui do lado, fode-se, que paga a gasolina mais cara!

Enfim, tanta confusão acaba por ter repercussões nas altas esferas do poder político (que são assim uma mistura de Bolas do Dragão com os Anéis do Poder à la Tolkien): o Sócrates manda de cá telegramas a chamar Sapateiro ao Zapatero, por causa das regras do acordo ortográfico, e, de lá, vem uma resposta em tom de "vê lá se não queres mas é um copo de cicuta pelo cu acima!" (sendo que é do conhecimento público que a cicuta arde mais nas hemorróidas que o ácido ascórbico), que o Zapatero não conhece Alcanizes e, ao que consta, Olivença, também não.
Resumindo, não me admira que daqui a uns tempos a relação familiar entre Portugal e Espanha seja revista e que, em vez de sermos irmãos, passemos a ser sogra e genro, sendo que o nosso papel me parece que será claramente o da velha matrona, eternamente chata, eternamente dedicada a estragar tudo o que está bem.
Porque, no fundo, são esses, sempre foram, os objectivos da existência de Portugal, ter pilas maiores que eles e estragar-lhes a festa. Foi claramente esse o intuito do Afonsinho ao fundar esta merda, ou o do Joãozinho, a restaurá-la: chatear os tipos aqui do lado, como os vizinhos que insistem em pôr a TV nas alturas às tantas da manhã (no caso dos moços, os vizinhos que mandam tocar os alaúdes mais alto, a meio da noute). Basta ver que uma das coisas que sempre irritou qualquer espanhol, para lá de se dizer que a Espanha não tem existência enquanto nação, ou que eles não são os maiores do mundo, foi a impossibilidade de se desenhar rápida e facilmente o seu território continental de uma forma estilizada. Enquanto que por cá basta desenhar um rectângulo a 3 para 1, em altura/largura, e dizer: "Isto representa Portugal", em Espanha, um professor que desenhe uma espécie de quadrilátero com um mamilo ao sul e outro a nordeste vai ter sempre um aluno chico-esperto a resmungar lá de trás: "Mira, Portugal no es España, coño!", aluno, esse, muito provavelmente filho de portugueses, mas nascido do lado de lá da fronteira por não haver maternidade onde nascer do lado de cá. Ou seja, um aluno que representa a segunda maior exportação portuguesa para Espanha...

O Império da Redondilha

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O Povo está na rua!
A Luta continua!

O Povo, unido,
Jamais será vencido!

Alberto, amigo,
O Povo está contigo!

Que têm estas palavras de ordem em comum? Vocabulário e sintaxe simples, rima, e um ritmo marcado pelo verso curto... Por que é tão importante que assim seja? Porque para, digamos, duas mil pessoas as poderem gritar em uníssono convém (1) que não contenham palavreado ou construções gramaticais demasiado rebuscadas, sob pena de uma grande percentagem dos manifestantes não o conseguir fazer; (2) que haja um tempo marcado pela rima e ritmo, o qual permita que sejam entoadas estas palavras sem se estar a pensar em acertar com as outras vozes.
Ora, hei visto, há uns tempos, uma tarja, à entrada de um hospital, pertencente a um sindicato e que rezava o seguinte:

Os enfermeiros no desemprego,
À ministra não darão sossego!

Sim, senhor!, temos rima... mas é só! Eu não digo que seja obrigatório o recurso à redondilha menor, nem sequer à maior, mas, pessoal, vamos lá ver se cortamos aí uma ou outra sílaba fonética, pode ser? É que fica difícil conseguir pôr mil gargantas a gritar isto em uníssono! O mais certo é o tipo do megafone começar, e quando estiver a acabar estarem os de trás a meio, ou até mesmo a tentar ainda perceber que raio de palavra de ordem se está a gritar, afinal! Ainda para mais, aquela revienga entre os complementos e o predicado não ajuda nada à festa! É que em dois versos longos termos apenas um sujeito, mais dois complementos, ambos precedendo a acção... que por sua vez está na negativa do futuro... ui! Que fartote! A sério, pessoal, vamos lá ver isto, ok?

Mash-up publicitário

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They can... maybe they will

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Sujeito - O Barak Obama lá conseguiu ganhar as eleições...
Predicado - Sim! Há uma onda de regozijo um pouco por toda a parte.
Complemento - Incluindo no KKK! Finalmente vão poder linchar um presidente!

Dicionário de Biturbo #16

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fossa séptica - (subs. fem.) fossa que não acredita nas merdas por que passa.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Dicionário de Biturbo #15

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baioneta - (subs. fem.) mulher pequena, natural do concelho de Baião.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Nossa Senhora, me dê a mão, cuide do meu coração...

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Sujeito - Um açoreano foi considerado o melhor carpinteiro da Europa...
Predicado - Mas o mais corno do mundo continua a ser o S. José!
Complemento - Mas o mais corno... espera lá! Fodeste-me a piada!

Décadas atrás do meu tempo!

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Como é que apenas ontem me surgiu a óbvia evidência associativa das palavras: Bélgica, chocolate, aliciamento, pedofilia?

Diálogos plausíveis...

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... ou de como as abreviaturas podem ser perigosas.

1 - [no Registo Civil]
- Boa tarde. Queria um CU.
- E quer embrulhar, ou é para comer já?

2 - [no banco]
- Vou precisar de um documento de identificação.
- Se lhe mostrar o CU, serve?

3 - [na mesa de voto]
- Preciso que você me dê o seu CU.
- Ah, caramba! Esqueci-me dele nas outras calças!

Felizmente, alguém teve a brilhante ideia de passar o Cartão Único a Cartão do Cidadão... e eu só me lembrei destes diálogos tarde demais...

... ela está acima de todas as razões.

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Obviamente, também me preocupa sobremaneira saber se a temperatura do amor se mede oral ou analmente, ou, mais fetichisticamente, pela axila! É que há quem não alinhe nessas medicinas alternativas!

Ainda para mais com instrumentos de medição deste calibre...

A existência não tem razão de ser...

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Claro que é espectacular saber de onde viemos, saber quem somos, do que somos feitos... mas, a mim, o que incomoda mesmo é não sabermos peva sobre o para onde vamos...

... que talvez a repetição possa dissipar!

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A Irmandade do Anel, com aquela mania de destruir torres, seria uma espécie de Al-Qaeda avant la lettre?
As barbas do Gandalf sempre me deixaram desconfiado...

Tenho dúvidas relativamente a esse lance...

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No hipismo dos Paraolímpicos, basta o cavaleiro ser deficiente, ou o cavalo também tem de ser?

Da não-existência...

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Um grupo de meliantes roubou-me a inspiração numa estação de serviço de uma auto-estrada, enquanto eu tentava levantar dinheiro, tendo também levado a caixa, e feito reféns dois funcionários do banco que a estavam a vistoriar...
A culpa? Do Código Penal, do Código Morse, do Sócrates e do Platão... ainda pedi opinião à Dama de Ferro Citrino, mas obtive apenas uma carta em branco, com a nota de rodapé dizendo: "Silêncio"

Como foi e como deveria ter sido... #1

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Onde se lê "Quem nunca errou que atire a primeira pedra...", dever-se-ia ler: "Quem nunca errou que atire a primeira pedra, mas pedra-pomes, não vá um de vocês, engraçadinho, armar-se em virgem impoluta!"

Breves nótulas sobre uma verborreia insone #6

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(palavras incoerentes escritas a cor azul no verso de uma folha em branco)

“Não existe verdadeiramente pintura abstracta; qualquer pintor parte limitado à partida pelas quatro linhas da tela” – dizem que tinha jeito para aforismos e para respostas espirituosas; dizem que punha os nervos em franja aos críticos de arte e mesmo a outros artistas que tentavam acompanhar o evoluir constante das tendências artísticas da época, tudo porque mudava de estilo e criava novos como quem muda de camisa, e mesmo assim talvez não mudasse tantas vezes de camisa; dizem que pintou algumas das mais geniais obras do século passado, em várias fases, muitas delas caracterizadas apenas pela predominância do uso de uma cor (não seria uma questão mera mente financeira, ia comprando as cores à medida que tinha dinheiro para elas?); dizem muita coisa acerca do homem. Eu só sei que ele disse uma coisa assim parecida com esta frase que aqui está. Ele, o Picasso, claro. (Acho que foi ele. Se não foi, azar, siga!)
Esta frase, de qualquer modo, leva-nos a vários pontos de interrogação, sendo que, como é óbvio e usual, não se responderá a nenhum, primeiro, porque não há capacidade; segundo, porque há demasiado sono.
Adiante, como disse, esta visão de Picasso leva-nos a colocar algumas questões, questões essas a que o próprio decerto gostaria de dar resposta, mas parece que não pode neste momento que está ocupado a desfazer-se em pó, se ainda não o está já! Vamos lá então, por ordem de profundeza de espírito das mesmas…
1) Picasso admite que não há pintura abstracta. No entanto, não se refere a mais nenhum tipo de arte. Pelo que: ou a pintura é um exemplo e toda a arte obedece a esta proposição; ou a pintura é uma excepção e a restante arte pode ser abstracta. Esta hipótese talvez fosse à partida a mais verosímil, visto que a pintura parece ser a única forma de arte com telas… por outro lado, o teatro e o bailado têm palcos, o cinema a tela da projecção, a música um certo número de notas, a fotografia… hmmm…
2) Se o pintor está limitado pelas quatro linhas da tela, então Picasso:
a) usou as telas quadriláteras como modelo para pintura, embora pressupondo que possa haver outras formas geométricas onde pintar;
b) esqueceu-se completamente disso, ainda para mais não havia então o graffiti como acontece hoje, nas paredes, nas carruagens, num sem número de telas ocasionais (sim, o graffiti é uma arte por si mesma, fazê-lo em locais que são interditos por lei é que se torna vandalismo)
3) Se se considerar a arte como uma forma de ver o mundo, e considerando a pintura como um exemplo de toda a arte, então Picasso considerava que o mundo não tinha abstracção pura? Ou seja, é impossível ao mundo existir sem ter certos cânones onde se possa encaixar, negando assim um Caos absoluto? Quase tão importante como isso, fazendo a transposição entre arte e mundo, então o mundo, na visão de Picasso, é também delimitado por quatro linhas, sendo portanto quadrilátero? (Ouvi dizer também que uns tipos provaram há uns séculos que afinal é esférico) E, nesse caso, visto que temos noção de três dimensões, não seria, isso sim, cúbico? Partindo do pressuposto que a resposta às últimas duas questões é Sim, mas Picasso era doido, ou quê?
4) Será que Picasso, tal como fizemos aqui nós, considerava, de facto, a arte como uma forma de ver o mundo, ou como um seu reflexo, ou considerava-a como uma coisa subsistente de per si? Considerando como correcta uma das primeiras duas opções, estaria a falar de um mundo-universo, ou do mundo-humano, isto é, de todas as coisas que existem, ou apenas da humanidade no meio desse todo?
5) Concluindo, considerando todas estas considerações, não deveremos nós considerar que os limites da tela, que os limites da arte, seja ela qual for, que os limites do mundo, que todos e quaisquer limites são apenas os limites inexoráveis da mente humana? E, assim, não variarão o mundo, a arte, a tela, de tamanho conforme os limites de cada um? Porque cada indivíduo humano desenha na tela em branco dos dias a obra-prima da sua vida, em pinceladas comandadas por aquilo que ele é no pensamento e na alma, porque, parafraseando Pessoa, não somos da nossa altura, mas sim do tamanho de tudo aquilo que conseguimos ver, e cada um de nós vê aquilo para que está preparado, e/ou para que se quer preparar.

FIM
(e mais um par de botas)