Sabedoria popular versão intelectualóide #12

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Bater em retirada perante a iminência de uma confrontação física, na qual há óbvia desvantagem, poderá não ser esteticamente agradável; não obstante, traz consigo um alijamento de pressão na região posterior do torso!

Experimente BioActive!

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Sujeito: Fugas de gás em Évora, em Lisboa, e sabe-se lá onde mais...

Predicado: Neste país, parece que nada funciona!

Complemento: Nem sequer os intestinos... estamos na merda há não sei quanto tempo, e só agora vêm os gases!

Já nas bancas

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Sabedoria popular versão intelectualóide #11

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A extremidade craniana onde se encontram as aberturas das fossas nasais dos canídeos, assim como a região glútea das fêmeas humanóides, apenas sofrem uma variação térmica que lhes permite atingir uma temperatura ligeiramente tépida durante o Estio.

O sinal vermelho é um estado de espírito!

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Como é do domínio público, por terem já passado mais de setenta anos desde a morte do presumível, seja ele quem for, ou tenha sido ele quem tiver sido, como queiram, eu não sou grande coisa em conjugações, a não ser de esforços orgásmicos, e mesmo sem saber quem foi o tipo sei perfeitamente que passaram mais de setenta anos, pois o dito que o dito ignoto ser criou é mais antigo que o defecar em posição de pernas absolutamente flectidas, de modo que as nádegas quase roçam o chão, e se neste tiver germinado uma densa vegetação herbácea pode mesmo acontecer sentir o respirar de uma formiga no topo de uma folha de capim, ou em caso de orvalhada sentir a dita região glútea a humedecer, também conhecido este acontecimento como cagar de cócoras, e, visto que as latrinas, objecto tantas vezes menosprezado, em que muitos cagam, mas que veio poupar muita gente a constipar-se pelo cu, são para cima de antigas, imagine-se o quão antigo não será o dito em causa, pois provavelmente o dito é mais antigo que aquilo que lhe deu origem, ou seja, foi um dito por não dito, e que reza que o hábito é o responsável pela feitura do monge.
Ora, o que nunca se explicou, pelo menos comigo ninguém se deu a esse incómodo, é se é o hábito enquanto peça de indumentária, ou se o hábito enquanto prática costumeira, recorrente, o que leva ao aparecimento desses senhores que, ao que dizem, abandonam tudo para se enfiarem no topo de um monte e se matarem uns aos outros com veneno nas pontas das folhas de livros, queimarem bruxas e falarem em latim.
É minha convicção profunda, e considero mesmo situar esta convicção algures na região de transição entre a epiderme e a derme, exceptuando talvez se estiver em causa a planta dos pés, ou a pele dos tomates, porque enfiar, ou situar coisas nos tomates é capaz de ser problemático, mas pelo menos nas palmas das mãos sim, só para se ter a vera noção do quão profunda ela é, que não se trata aqui da vestimenta dos também chamados frades, porque isto dos mosteiros é como uma família fechada, mais ainda que a Adams, ou as famílias mafiosas, porque é fechada ao sexo oposto àquele dos que dela fazem parte, porque temos nos mosteiros masculinos os frades e o abade, que é o pai etimológico, não confundir com o pai biológico, nem com o pai divino, e nos femininos, temos as irmãs e a madre, devem ser complexos edipianos ou electrianos invertidos, ou coisa parecida, alguém que perceba disso de psiquiatrias que estude. E considero isso pois pura e simplesmente não acho verosímil que o mero uso de um saco de serapilheira faça de alguém um monge. Quer dizer, eu nunca vi nenhuma batata com tonsura, e o que mais há para aí é batata ensacada em serapilheira, pelo menos desde que os europeus atracaram na setentrional América, donde trouxeram não só esse belo tubérculo, como também o milho, ou o feijão, para além doutras leguminosas, e doenças venéreas como a sífilis, deixando em troca o sarampo, que antes comia-se era castanhas, o que, junto com bacalhau, devia dar umas ceias de natal bem estranhas. Também, verdade seja dita, nunca vi nenhuma batata com cabelo, mas isso não é razão para abandonar tão forte convicção, ainda para mais depois de a ter colocado onde coloquei, que eu cá não levo jeitinho nenhum para Bartolomeu… Quer dizer, durante muitos anos vivi na ilusão de que havia uma espécie qualquer de batata com pêlo, ou cabelo, bem áspero e com as pontas espigadas, é certo, porque era isso que eu via nos supermercados, logo ao lado das mangas e dos maracujás, e não ao lado das cenouras e nabos, como mandariam a lógica e a sequência de preparação de uma sopa de legumes. Vim, mais tarde, a descobrir que aquelas batatas têm por nome kiwis, e que são, na verdade, iguaizinhas àquela fruta verde com grainhas chatas que eu comia às vezes, e que, se partilhavam com as batatas-batatas o dom de entupir canos de escape, tinham nos intestinos um efeito bem diverso. Além de que são, vá-se lá saber porquê isso, agora, o símbolo nacional da Nova Zelândia, juntamente com os fetos, o que é também sobremaneira inusual, diria antes bizarro, e disse mesmo, porque uma coisa é defender e incentivar a natalidade, e eu sou absolutamente pró-quecas, outra coisa é hastear fruta e embriões em desenvolvimento intra-uterino. Parece que nunca ouviu falar de bandeiras e hinos nacionais, aquela gente…
Assim sendo, resta-me considerar que o que torna o monge num monge são os hábitos que ele possa ter. Ora, hábitos não são vícios, e há que fazer aqui uma distinção clara! Hábito é toda aquela acção recorrente na nossa vida, e que não constitua necessidade essencial à sobrevivência, praticada de forma consciente (pois senão passa a ser um tique), por um indivíduo (se for por um grupo passa a ser um taque), e que não lhe causa mal algum. Se causar, é um vício! Como fumar, por exemplo. Durante muito tempo foi um hábito, mas bastou que um certo número de indivíduos e estudos declarassem não sei quantos efeitos perniciosos do acto tabagista, e logo passou a ser um vício, um mau hábito, portanto. Porque, no fundo, a linha que divide o mundo dos hábitos [o lado do Bem] do mundo dos vícios [o do Mal], está, numa escala de tenuidade, e ao contrário do que possa parecer através desta divisão maniqueísta, um pouco acima de um pintelho de uma velha, que é algo sobremaneira ténue, e um pouco abaixo da linha de perfil de uma modelo de alta costura, que é incomensuravelmente ténue; estamos a falar, digamos, de uma linha assaz ténue. Para dar mais um exemplo de graça, como faziam os romanos e ainda fazem os ingleses, há quem, como eu, sacuda o pénis até três vezes, no máximo, após a micção. Ora, isso é um hábito, e claramente bom, pois evita manchas indesejáveis nas calças, mas não chega a ser uma necessidade básica da vida, o que não obsta a que se considere aqueles que não sacodem vez nenhuma como, e isto é terminologia científica, uns porcos do caralho!, sendo que aqueles que acumulam esta porqueira com a não lavagem das mãos em seguida são uns grandessíssimos porcos do caralho! Depois, há aqueloutros que exageram, sacodem, sacodem, sacodem, como se estivessem a ter um ataque de convulsões epilépticas na piça, bem mais de três vezes, o que passa a ser, é dos manuais, acto masturbatório. Ora, considerando-se que a punheta não é certamente um acto essencial, e mesmo não fazendo propriamente mal a ninguém, excepto à Nova Zelândia, que depois fica sem símbolos nacionais, ou ao Camões, que diz que ficou zarolho, ao contrário do Édipo, lá está, que por ter preferido foder em vez de esgalhar sozinho acabou por levar à auto-mutilação das vistinhas, pode vir a tornar-se potencial hábito ruim, um vício, se for assim repetida, de cada vez que se mija, inclusive em urinóis públicos, ou atrás de um arbusto, ou outros objectos inanimados, nos casos de maior aperto. Repare-se até que há como que uma certa dose de parasitismo nestes casos, em que um mau hábito se cola a uma necessidade básica do ser humano. Era, à falta de melhor comparação, até porque não há mesmo nenhuma, como se uma mulher quisesse ter uma conversa séria com o marido sempre que estivesse a dar a bola na televisão.
Enfim, mesmo sendo humanos de carne e osso e sangue e linfa e essas tretas todas, os monges, digo eu, não devem passar o tempo todo a sacudir o chicote, até porque o raio do saco que têm enfiado não deverá facilitar em nada. E já nem falo das monjas, obviamente. Quem diz o vício da masturbação, diria, e digo mesmo, todos os outros, porque os monges são reconhecidos como virtuosos do piano da moral, tocam apenas nas alvas teclas e deixam os negrumes de lado, alheiam-se dos vícios, dos pecados da carne… Além do mais, entre matinas, laudas, primas, terças, sextas, nonas, vésperas e completas, mais os trabalhinhos físicos e intelectuais, e uma ou outra sonequinha em camas de palha, que tempo tem um monge para ganhar vícios, quanto mais para os suportar?
E, com isto tudo, se chega facilmente à ideia subliminarmente subjacente de toda esta espécie de raciocínio: os defeitos do sistema de ensino português, nomeadamente no que à segurança rodoviária diz respeito, enquanto parte integrante da formação dos nossos brilhantes cidadãos de amanhã. Está certo que a ideia não será criar um país de monges, mas não ficava mal deixar de se fomentar certos vícios na juventude, e quanto mais jovem menos se deveria fazê-lo, como aquele de atravessar sempre nas ditas passadeiras. Noutros locais, noutras sociedades, até pode ser que isso seja um bom hábito, mas, respeitando a idiossincrasia lusa, temos de o considerar um vício, e bem pernicioso, diga-se, tão ou mais que o do tabaco, até porque é praticado ao ar livre, e sobre isso já ninguém protesta…

Sabedoria popular versão intelectualóide #10

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É preferível ingurgitar um doce arredondado e de cremosa consistência confeccionado com o líquido segregado pelas glândulas mamárias das fêmeas bovinas mais corpos arredondados produzidos por fêmeas galináceas e demais ingredientes habitualmente colocado na mesa para degustação a frio após cozedura num recipiente semi-imerso num outro onde moléculas constituídas por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio que se encontram em estado líquido à temperatura ambiente dos países de climas temperados estejam em ebulição, juntamente com os comparsas; a ingurgitar o conteúdo de um vaso cilíndrico ou ligeiramente cónico e de asa elíptica assaz utilizado na actividade de construção civil para transporte de argamassa quando esse conteúdo são excrementos intestinais, desprovido de companhia.

O Método Socrático de Governação

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Sujeito: "Só sei que nada sei!"

Predicado: Com a actual sociedade de informação globalizada, fica difícil aplicar esse preceito.

Complemento: Fica nada! Basta encomendar muitos estudos científicos, e depois decidir, e voltar atrás, decidir, voltar atrás, decidir, voltar...

Sabedoria popular versão intelectualóide #9

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Todos os que possuem esfíncter anal sentem decerto um temor exacerbado.

Ó Chefe, foi o despertador que avariou...

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Era uma noite branca de Inverno, há muito tempo atrás...

A Lapónia estava imersa num banho de negrume pontilhado de miríades de estrelas, com a espuma fria da neve que caíra durante os últimos dias cobrindo a terra, as árvores, os telhados.
Os passos, amortecidos pelos flocos caídos, como numa almofada fofa, do Pai Natal que chegava a casa depois de mais uma noite pelo mundo a distribuir jornais gratuitos, Dica, Destak e Metro à cabeça.
Pela janela espreitando, poder-se-ia ver que em casa, defronte à lareira crepitante, pés cobertos com uma mantinha de aquecimento em pele de ovelha do Árctico, o Coelhinho da Páscoa esperava a sua chegada de mais um dia de labor intenso, com a mesa festiva posta de doces típicos da Lapónia, à base de haste de renas, e ervas e assim...
- Nicolau! Finalmente chegaste! Já é tardíssimo…
- Desculpa, Dentuças, mas o trânsito na VCI estava uma merda. Como o costume…
- Nicolau! Sabes que odeio que digas palavrões.
- Se conduzisses um trenó na altura do Natal, também os dizias.
- Oh!
O Pai Natal não conseguia esconder a amargura dos quarenta! Quarenta anos dedicados a espalhar a alegria pelo mundo, em forma de presentes matutinos nas meiinhas penduradas à beira da lareira que faziam, de todas as crianças, crianças felizes! Agora, com a multiplicação exponencial de largas superfícies comerciais, com o advento da feroz publicidade, e a mimalhice crescente das crianças do mundo ocidental, o seu lugar desaparecia, e ficava apenas a imagem rotulada das coca-colas, e a estatuária dos pinheirinhos. Os miúdos pediam aos pais, e os pais compravam… Já ninguém ligava às meias, ou aos presentes do Pai Natal, restavam-lhe apenas os jornais gratuitos, e um ou outro local ainda não tocado pela febre consumista. Até porque nos países terceiro-mundistas, quando tudo ainda corria bem, havia cedido o franchising às super-potências da Guerra Fria e elas continuavam a entregar a todos os meninos armamento do mais moderno para se matarem uns aos outros, sem intenção de devolverem a exploração desses territórios novamente ao Pai Natal.
Bardamerda para isto! – pensou, enquanto descalçava as botas.
- E então, que se passa?
- Nada de especial. O Nicolas Cage fez um novo filme e queria escrever um livro, a Soraia Chaves também fez mais um filme, e se calhar também gostava de escrever um livro, e os Gato Fedorento vão fazer a passagem de ano na RTP1, e pelo menos um deles já lançou um livro.
- E não se passa nada de realmente importante?
- Ah, o LIDL vai ter à venda umas máquinas de café muito jeitosas, de pastilhas, a 40 €.
- Ah, isso é bom, mas já sei como é, aquilo abre às 9h e às 9h05 já não há nada. E eu para me levantar cedo não estou com vontade.
- Quando trabalhaste no circo Cardinalli, ou com os Monty Python, não te queixavas de acordar cedo.
- Não sejas assim, não digas essas coisas estúpidas!
O Coelhinho da Páscoa não conseguia esconder a amargura dos quarenta! Quarenta anos dedicados ao mundo do espectáculo, enquanto membro da trupe circense Cardinalli, o maior circo do mundo, nos espectáculos de magia em que aparecia sempre gloriosamente branco da cartola do seu mestre; ou enquanto figurante em variados filmes, por vezes com nomeações para Oscar na categoria de Melhor Performance Animal. Mas o pêlo foi escurecendo, ganhando tonalidades cinzentas que brilhavam menos perante os holofotes, e acabou ultrapassado pelo Dentolas, outro coelho-artista, que acabou por ser escolhido no casting para os mais recentes remakes de Alice no País das Maravilhas, ou para aquele cameo no Matrix.
Falsário, eu bem sei que ele pinta o pêlo. – pensou, enquanto pegava nas malhas para fazer um pouco mais de tricot.
- E então o Benfica?
- Que queres dizer com isso?
- Calma, Nico! Estou só a perguntar como ficou o jogo!
- Ganhámos! E vocês amanhã perdem, que eu já arranjei prendas para as pessoas certas, e ficam só a sete.
- Como os anões? Ah, ah!
- Ri-te enquanto podes, que em Maio ainda choras!
- Isso… Por falar em rir, os Gato na passagem de ano? Mas eles não iam parar de fazer o programa, ou coisa assim? E vai ser gravado ou em directo como antigamente? Ah, que saudades desses programas!
- Isso já não sei, que só leio as capas, não dá tempo para mais.
- Que se passa contigo? Todo rezingão! Nem parece teu andares assim. Estás preocupado com alguma coisa?
- Se estou preocupado com alguma coisa? Se estou preocupado? Não, claro que não! Só com a puta da inflação, a puta da Euribor, o fim do caralho das SCUT! Escolhe. Como vamos governar a nossa vida, numa situação destas? Ainda para mais, com a ASAE sempre a rondar, não arranjas emprego, por causa da tularémia.
- Ei, que é isto? Que se passa contigo? Pareces doido! Jesus…
- O quê?! Que queres dizer com isso?
- Pareces doido! A falar assim, como nunca vi em 30 anos!
- Ah, sim… sim. Desculpa.
- Vou mas é fazer um chá. Tília e camomila, para ver se acalmas.
O Pai Natal tirava o casaco, menos vermelho agora, passados tantos anos de desgaste – Foda-se, isto assim não pode continuar! – encharcado pelas chuvas intensas a norte do Anticiclone dos Açores – Tenho de ser um homem, e contar-lhe!
- Olha que maravilha de chá! Queres a tua caneca tamanho jumbo, Nico?
- Dentuças… eu… eu não sei como dizer isto. Eu… tenho de confessar…
- Que se passa, Nico?
A voz rouca do Pai Natal, consequência de milhares de noites a enfrentar os fenómenos meteorológicos mais adversos, gaguejava, saía em pequenos fonemas, monossílabos, incoerentes, confusos… – Porra, tem de ser!
- Dentuças, ando a ter um caso com o Menino Jesus! – Foda-se, está dito…
O som do bule e da chávena a caírem, o som estridente e estilhaçado da chávena e do bule a caírem… Só isso quebrou o silêncio de um segundo eterno, absolutamente de vácuo, em que o Coelhinho da Páscoa olhou para o Pai Natal, já com os olhos marejados de lágrimas, sem acreditar no que tinham acabado de ouvir as suas longas e fofinhas orelhas.
- Ah, seu desgraçado! Eu sabia! Eu sabia! Eu desconfiei de chegares tantas vezes com palha enfiada nos bolsos e esse cheiro a manjedoura no barrete!!! Como?! Como foste capaz de fazer isto?
- Eu… eu… Foi uma coisa que… aconteceu… numa das minhas viagens de negócios ao Médio Oriente. Quando tratei com os israelitas aquela prenda… a doença do Arafat…
- Isso já foi há 3 anos! Andaste a esconder-me isto durante três anos?
- Não foi bem… só começou passado uns meses.
- Ah, e dizes isso como se assim estivesse tudo bem! Como foste capaz? Quer dizer, que andasses metido com as renas, ou com aqueles anões de orelhas esquisitas que trabalhavam contigo na fábrica antigamente, ainda podia perceber, mas… o Menino Jesus?
- Eu… isso das renas, e dos anões… O Rudolfo e o Nelson Ned disseram-te alguma coisa?
- O quê? Queres dizer que… também… Uuuiii! Qu’é isto?! UM OVO COLORIDO A SAIR-ME PELO CU? Já viste o que me está a acontecer? Por tua culpa! Tua!!!
- Coelhinho... desculpa...
- Odeio-te, odeio-te, odeio-te!!! Vou-me embora para o país das Maravilhas, e nunca mais te quero ver, seu badocha horrível, nunca mais!!! Ainda para mais benfiquista! Pfff…
O estrondo da porta a bater ecoou na cabeça do Pai Natal como uma gigantesca claquete a dizer FIM, sem direito a repetição, quanto muito reposição no canal da memória. Adeus, cauda fofa... - pensava, enquanto a porta de novo se abria, numa réstia inesperada de esperança, surgindo de novo a cara do seu Dentuças, quem sabe para lhe dizer - Perdoo-te!, ou - Amo-te e não consigo viver sem ti!, ou...
- Ah, já agora, és péssimo na cama!

Sabedoria popular versão intelectualóide #8

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Aqueles que ornamentados de extensões de marfim estão, serão sempre os derradeiros a tomar conhecimento dos factos!

Breves nótulas sobre uma verborreia insone #2

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(palavras incoerentes escritas a cor azul no verso de uma folha em branco)

A beleza impede nos de ver os verdadeiros monstros? – foi este, ipsis verbis, e mesmo sem hífen, como é próprio da sua escrita, o mote que, há não sei quanto tempo, Abelardo Ferdinando Vergílio Landeira nos desafiou a glosar, no seu opúsculo: Aforismos e Interrogações para poesias e textos em linha recta. Fê-lo como quem atira uma pedra para o ar e se esquece de ver onde cai, se num deserto sem vida, se num lago onde origina forte ondulação... Não caiu em deserto desabitado, mas também não originou ondas, ficou-se pelo intermédio pedido de esclarecimentos, em epístola reverente. Fizemo-lo e não obtivemos resposta alguma. Por isso, avançamos agora para o tema então proposto, expondo e analisando-o a partir dessas premissas lançadas e de outras que foram entretanto surgindo.
As interrogações então colocadas foram: Que beleza estamos a tratar aqui? e Que espécie de monstros? Para seguir por este trilho teórico, urge colocar outras duas questões logo à partida: O que é a beleza? e O que é a monstruosidade? Beleza e monstruosidade não são senão conceitos valorativos, conceitos que utilizamos para emitir juízos de valor, por isso, não são coisas, factos palpáveis, não são mensuráveis, nem objectivos, nem reais! Cada pessoa tem, para si mesma, uma escala de valores, onde esses estão incluídos, pelo que o belo para A pode não o ser para B e vice-versa. Assim sendo, a beleza e a monstruosidade não existem, senão numa escala relativa, nunca de modo absoluto. E mais ainda, elas não existem nas pessoas julgadas, mas apenas nos seus juízes!
Seguidamente, enquanto conceitos relativos, é também importante questionar em que situações são aplicáveis, ou seja, o que podemos considerar como sendo belo e/ou monstruoso! As pessoas, os edifícios, as paisagens, um pôr-do-sol? Tudo isso, sem dúvida. No entanto, no que toca aos humanos, a questão é bem mais complexa, pois tanto nos podemos referir à beleza/monstruosidade exterior como à interior, ao físico e aparente, como ao psicológico e oculto. A questão mais importante é, porém, saber o que tem mais significado... mas vamos com calma.
Perguntamos, de seguida, se estaríamos a falar de alguém simultaneamente belo e monstruoso ou, diferentemente, de dois diversos em que um belo ofusca o monstruoso. Comecemos pela segunda hipótese. De que modo podem duas pessoas, presumindo que o mote tratava de pessoas, criar um tal jogo de eclipses, ofuscando-se uma à outra? Será que qualquer um tenta, por iniciativa própria, tapar o outro aos olhos de um terceiro? Ou não será isso apenas mais uma questão de relatividade, em que A vê B como belo e C como monstruoso, mas em que D vê exactamente o inverso? E, mesmo assim, quer A quer D vêem ambos a B e a C. Haverá algum X que verdadeiramente esqueça ou a B ou a C apenas devido à presença do outro?
Mais complexo ainda é o caso em que A olha para B e este contém em si mesmo os sintomas da beleza e da monstruosidade. Assim, podemos ter que B seja belo fisicamente, mas monstruoso em termos de carácter (caso 1); ou então que B seja belo interiormente, mas monstruoso visualmente (caso 2). A questão é: Será que A, ao aperceber-se da beleza, se esquece do restante? Ou nem sequer nele repara? E sendo assim, fá-lo igualmente nos dois casos? Porque, e aqui reside o verdadeiro ponto fulcral de toda a problemática, a importância que A dá ao físico e ao psicológico é que determina a sua posição! Se A dá primazia ao físico, então pode não ligar por aí além à monstruosidade no caso 1, nem à beleza no caso 2; se, ao inverso, valoriza mais o interior, então a beleza do caso 1 não lhe causa grande comoção, o mesmo se passando com a monstruosidade do caso 2! Mas será alguém capaz de não ver ambos os pratos da balança? Não o sabemos, não sabemos se andará por aí esse X...
A beleza impede nos de ver os verdadeiros monstros? perguntou Abelardo Ferdinando Vergílio Landeira. O que pretendemos nós ver ao olhar o mundo e as pessoas nele?, pergunto eu!

FIM
(também sem grandes conclusões)

Sabedoria popular versão intelectualóide #7

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Jamais alguém deverá considerar como pré-adquirida uma célula resultante da fecundação dos gâmetas provinda do orifício anal de um galináceo!

O Pasquim Infame investiga #3

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Depois de Sintra, Silves, Almada ou Seixal, é agora a vez dos moradores de Landeiró de Baixo protestarem contra o traçado das linhas de muito alta tensão, que passam mesmo pelo centro desta pequena vila de 57 habitantes.
Tenho comigo Teotónio Narsélio Soromenho, líder deste protesto, autor da petição enviada à REN, ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo, e, ao que julgo saber, ao Grupo Recreativo, Cultural e Desportivo de Oliveira de Frades.
- Antes de mais, senhor Teotónio, permita-me dizer que tem, provavelmente, o nome mais parvo que já ouvi na minha vida, sendo que eu próprio assino Anastásio Landeira, pelo que autoridade moral para lho dizer não me falta!
- Muito obrigado!
- Diria mesmo que mais parece que os seus pais o detestavam, e, por isso, decidiram dar-lhe um nome absolutamente risível!
- É muito gentil!
- Agora que já esclarecemos este ponto, vamos então à entrevista. Senhor Teotónio, porquê esta petição, e porquê agora?
- Posso falar?
- Pode.
- Posso?
- Já disse que pode!
- Pois, então, queria agradecer aos senhores do Pasquim Infame esta oportunidade para divulgar as razões do nosso protesto, e queria, para responder às suas perguntas, afirmar que sim.
- Como disse?
- Disse sim.
- Portanto a razão para este protesto e neste momento, é sim.
- É sim, sim, senhor!
- Pois... hmmm... e não haverá mais nada que nos possa dizer, por exemplo: perturbam-vos os níveis de radiação emitida pelas linhas de muito alta tensão que passam aqui mesmo por cima das vossas casas?
- Não! Isso para nós não é problema nenhum!
- Não? E não acha isso estranho, pois se até agora todos os movimentos populares apontam essa questão como centro das suas argumentações.
- Nã... Nós, a radiações, estamos habituados. Olhe, ainda no outro dia o reactor nuclear da tia Rondina sobreaqueceu e estoirou! Foi para aí uma fumarada verde que não se via nada durante umas semanas! É normal, é normal.
- Um reactor nuclear?!
- Sim, aqui em Landeiró de Baixo cada casa tem um reactor privado, por causa da electricidade, sabe, que vai muitas vezes abaixo, porque os ratos gigantes roem os cabos dentro da central, e é um sarilho. Ainda no outro dia apanhei lá três, que foi o meu jantar.
- Ratos gigantes?!
- Sim, assim, vá lá, do tamanho de um leitão acabadinho de nascer, uns 15 quilitos, pronto.
- 15?...
- Mas como eu ia a dizer, é uma chatice a electricidade ir abaixo, que a gente quer ver o Preço Certo em Aéreos e depois não pode não é? É chato! Ah, e aqui que ninguém nos oiça, parece que eles lá em Landeiró de Cima só têm um reactor para toda a vila. E eles lá são bem mais que nós... ora... morreu anteontem o senhor Zardilaque da mercearia por causa dos tumores, uma coisa feia, rapaz!, portanto, devem ser uns 72, neste momento. E são uns somíticos, está a ver? Um reactor para essa gente toda! Eu até me admiro se eles chegarem até à Roda Final.
- E... portanto, não têm problemas com as mutações genéticas?
- Olhe, calha bem falar nisso. Ó Léééééécio! LÉCIO! É meu sobrinho, sabe? Olhe, lá vem ele.
- Mas, mas... o seu sobrinho tem, tem...
- Olhe-me que beleza de moço! Olhe-me estes quatro braços! Ele, com estes braços todos, cava que é uma coisa linda! Na altura de semear as batatas ganha rios de dinheiro nestas redondezas! Diz lá adeus aos senhores jornalistas.
- Brglloinksmmm. Ug... ug.
- Pronto, pronto. Vai ter com a mãe para ela limpar a baba. Fica muito nervoso com gente estranha, sabe.
- Ok, portanto, o senhor não se preocupa com as radiações e com os seus efeitos... Afinal, o que o preocupa nestas linhas?
- Bem, não será bem preocupar, é outra coisa menos forte.
- Desassossegar?
- Não, menos ainda.
- Incomodar?
- Isso! É mais um incómodo.
- E que incómodo seria esse?...
- Olhe, o problema é que estas linhas me afectam o sono.
- O sono?
- Sim, o sono. Não consigo dormir tranquilo.
- Não consegue dormir tranquilo?
- Não. Passo as noites todas acordado.
- Passa as noites todas acordado?
- Oiça, não está a ouvir assim um eco estranho?
- Eco estranho?
- Sim.
- Não.
- Deve ser daquela gosma acastanhada que tenho sempre nos ouvidos.
- Gosma nos ouvidos?
- Sim, não se preocupe, que isto passa já.
- Portanto, o senhor não se preocupa com as linhas, com as radiações, mas mesmo assim não consegue pregar olho. Não estou a perceber.
- Pois, o problema é que as linhas não me deixam mesmo dormir. São umas chatas, sempre a falar, sempre a falar!
- Falar?!
- Sim, falar, a noite toda! Eu tenho um sono muito levezinho, sabe, e então basta uma começar e pronto, lá se foi a noite de descanso. Sempre zum, zum, zum! Zum, zum, zum...
- Portanto, o que o levou a enviar esta petição de protesto foi o barulho que as linhas fazem?
- Barulho? Aquilo é uma algazarra! Ainda ontem passaram a noite a discutir se o golo do Hurst em 66 entrou ou não! Uma confusão pegada! E em dias de orvalho? Ou de vento forte?! Vvvvvvvvvvvvvvvvvv! Vvvvvvvv! A noite toda nisto!
- Pois percebo. E, enfim, o nosso tempo acabou...
- Queria só dizer mais uma coisa. Posso?
- Pode.
- Posso?
- Já disse que posso, homem!
- Calma! Até parece que é um cabo de fibra óptica, ou o camandro, sempre nervoso! São uns sacaninhas nervosos, esses gajos.
- A sério, despache-se lá!
- Pronto, só queria pedir que ao mudarem a linha a pusessem a passar em Landeiró do Meio, que me esqueci de pedir isso na petição. Esses gajos nem reactor nuclear têm! Avarentos de uma figa!
- Pronto, pronto, acabou o nosso tempo. Foi a entrevista... possível... com o senhor Teotónio Narsélio Soromenho, aqui, em Landeiró de Baixo.
- Chau!
- Muito obrigado. Obrigado.


- Já agora, Oliveira de Frades porquê?
- É bonito.
- Ah, está bem!

Sabedoria popular versão intelectualóide #6

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Calendas de Maio em que os céus não sejam rasgados pelos fulgentes relâmpagos de Zeus em vozes ribombantes de atordoar a alma são como machos asininos que não possuam massa testicular!

Dicionário de Biturbo #14

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alfarrabista - (1 - subs. fem.) aquela que detém o cu primordial, o mais perfeito par de nádegas, ou nalgas; também chamada de coeva; (2 - adj. masc.) com o tempo, passou também a qualificar aquele que procura apenas açambarcar cus perfeitos.

Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Breves nótulas sobre uma verborreia insone #1

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(palavras incoerentes escritas a cor azul no verso de uma folha em branco)

Estar vivo é o contrário de estar morto. – foi a páginas tantas do Phedon de Platão que esta afirmação apareceu pela primeira vez, colocada na voz de Sócrates, mestre do que dá nome ao livro, assim como do seu autor, e que esperava pacientemente pelo copo de cicuta que o levaria às margens do Styx! Foi, porém, pela voz de Lili Caneças que se imortalizou tal sentença nos arraiais e praças lusas, motivo de chacota, rapidamente rotulada de lapaliçada! Não é o caso! Leva-nos, outrossim, a meditar meticulosamente no seu significado, na escolha de cada palavra e de sua exacta posição.
Estar – verbo intransitivo que significa ser presente; permanecer; residir. Um verbo intransitivo, recorde-se, é aquele que, por definição, não exige complementos, pois possui significação absoluta, dispensando-os, assim, pois se basta a si mesmo para atribuir sentido a uma oração. Portanto, estar é uma noção absoluta que corresponde a ser presente; permanecer; residir. A lógica do senso comum confirma que Permanecer vivo é o contrário de permanecer morto. Mas a lógica e o raciocínio mais apurados levam a algumas chamadas...

Primeira: o permanecer vivo é, necessariamente, uma grandeza diferente do permanecer morto, visto que, uma vez nascendo, o caminho para a morte é inexorável, logo, é um estado transitório o estar vivo; pelo contrário, estar morto é um estado definitivo, excluindo, por motivos óbvios de argumentação, os casos de reanimação médica, mas depende primeiramente da condição de ter estado vivo, o que não sucede inversamente. Assim: Estar vivo é o contrário de estar morto, mas, também: Estar morto é o resultado de ter estado vivo.

Segunda: é o contrário, ou seja, a conjugação na terceira pessoa do singular do presente do indicativo de ser o contrário, ou uma pessoa neutra, neste caso, sendo que vem a dar ao mesmo. Visto que ser significa também estar, temos que: Estar vivo está no contrário de estar morto ou Estar morto está no contrário de estar vivo. Assim, estão ambas no contrário uma da outra, mas ao passo que A (estar vivo) leva a B (estar morto), B não leva a A, embora dele proceda! Da mesma forma, A não procede de B, mas leva até ele, como já referimos na nota anterior.

Terceira: Estar é, como vimos, sinónimo de Ser presente ou de Ser, pois se pode subentender que se é sempre em algum lugar, enquanto organismo, aglomerado molecular orgânico; estar morto é não ser mais essa coisa orgânica, antes transformar-se apenas em massa molecular inerte e inorgânica, não ser presente. Assim: Estar vivo é o contrário de estar morto, mas, também: Ser um ser é o contrário de ser um não ser ou Ser um ser é o contrário do não ser um ser ou ainda ser é o contrário de não ser (porque, como na matemática, + com + é = a +; e + com - é = a -).

Quarta e última: Uma questão de interpretação: podemos falar de estar sem subentender uma qualquer espécie de acção? Pensar estar como representação gramatical de uma passividade pura? Se não o conseguirmos fazer não será mais acertado dizer em ver de estar morto, ter morrido ou vir a morrer, pois assim se marca uma determinada e derradeira acção num certo ponto do tempo, mesmo que indefinido? Ironia das ironias, a derradeira acção tornar-se-ia a causa de não mais se agir! Estar morto é, neste caso, uma contradição, pois o morto, no sentido de falecido é um não agente, e estar morto implicaria a acção de não ser! Assim: Estar vivo é o contrário de estar morto passa a Estar vivo é o contrário ao depois do vir a morrer ou ter morrido, ou mais simplesmente: Estar vivo é o contrário de não estar, ou, como já dissemos por outras palavras: Estar é o contrário de não estar (não nos esqueçamos que estamos a lidar com um verbo intransitivo e que, por isso, não precisa de complementos). Excluindo novamente os + e os – que não interessam: Estar é estar! Diria mais… diria que: Ser é ser; por isso, quem é, é sendo! Mais ou menos como as duas ervilhas num canto do prato:
‑ É!
‑ Pois é!

FIM
(e sem conclusão alguma)

Isto é inadmissível! Uma semana de atraso!

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Sebastião, jovem formoso,
Cabeça loira, usava coroa
Que lhe dava ares de poderoso,
Que ele usava um pouco à toa.

Pra África sonhava em ir,
Ganhar almas pra Cristandade.
Ficou-se às portas d' Alcácer-Quibir,
Foi-se na loucura e virgindade.

Porque Sebastião não fodia,
Tinha a mulher como um papão.
Por isso nunca deu a alegria
Ao reino, de fazer um varão.

Veio pró poleiro um velhadas,
Seu tio que também era cardeal,
Tinha as sotainas borradas
E mijava nas plantas do quintal.

Toda a vida homem virgem,
Por preceito da devoção,
Podia então tirar ferrugem,
Já só não tinha era tesão.

Quinou também o velhote
Sem dar ao reino varonil.
A luta p'la coroa foi fartote;
Candidatos, mais de mil.

De Parma, Sabóia e do Crato,
Até de Roma e França,
Mas era pequeno o prato
E só o de Espanha encheu a pança.

Filipe em Espanha era já segundo,
Deste lado ficou primeiro.
Mandava em mais de meio mundo,
Império com sol o dia inteiro.

Mas todo o ano havia guerra
E sobe-sobe com os impostos,
Pra combater Holanda e Angleterra
E trazer ao povo mil desgostos.

Morreu Filipe, veio Filipe,
E 'inda outro Filipe arribou.
Foram três os desta estirpe
Que o tesouro encazinou.

Pagava povo, clero e nobreza
(Que era coisa de espantar)
Ficava o reino nesta pobreza
De não ter como se remediar.

Sonhou o povo assim tratado
Qu' havia Sebastião de regressar
Num dia frio e enevoado,
Lá das terras d' além-mar.

Esperou-se à toa dias e anos
Pela chegada do Salvador,
Mas no horizonte não vinham panos
D' el-rei Sebastião nosso senhor.

Como não chegava el-rei no nevoeiro,
E não saía o reino deste trabalho,
Foram-se quarenta ao Terreiro,
Mandaram o Vasconcelos pró caralho.

Trouxeram João de Trás-os-Montes
Para ser o IV de Portugal.
Ele que nunca quis ser rei antes,
Por preferir música e coiso e tal.

Vendo o trono assim levado,
Filipe III ficou fodido.
Mandou o reino ser tomado
Pelo exército de peito erguido.

Mas breve saiu de Portugal
Outra vez pelo mesmo caminho,
A enfiar-se no Escorial
Com o cu todo assadinho.

Daqui as gens lhe deram luta,
Português era outra vez tudo.
- Vai-te embora, à ganda puta,
Desgraçado de queixudo!

Fez-se assim a Restauração,
No primo dia de Dezembro.
Não mais houve fervor como então
Neste povo a quem relembro:

Mandou-se o castelhano embora,
O espanhol voltou-se a mandar.
Só não se mandou daqui pra fora
Tanto português que nos quer enrabar!

Frei António Jerónimo Landeira (inícios do séc. XIX)

Dicionário de Biturbo #13

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oxigénio - (subs.) génio enferrujado; oxidado no metal do pensamento, pela estupidez líquida do mundo. Acontece sobretudo a génios que se distraem sobremaneira a ver tv ou a jogar playstation.
Fonte: Dicionário de Biturbo (não editado)

Breves nótulas sobre uma verborreia insone #0

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(palavras incoerentes escritas a cor azul no verso de uma folha em branco)

Quem nunca tentou fazer um documento do Word com tantas páginas que ele não conseguisse fazer uma contagem de caracteres sem se desfazer em merda que atire a primeira pedra! E digo isto com a noção de que não deve haver ninguém para atirar coisíssima nenhuma, e se houvesse também haveria de ser tal mongo, tal nerd, tal totó (e afins, como costuma dizer nas carrinhas de distribuição de pão nas aldeias – Era um quilo de broa e um afim sem creme, que é pró meu mais piqueno!), que nem num elefante acertaria, a dois passos. Que eu não sou parvo! Nem eu, nem o JC, ou nunca pensaram por que razão ele não disse: Quem nunca andou todo nu pela praça central de Jerusalém, só com uma meia a envolver o sexo, a cantar músicas napolitanas às janelas das moçoilas casadoiras, que atire a primeira pedra!, em vez de: Quem nunca errou, que atire a primeira pedra!? Que ele não queria que a Madeleine, que não aquela que desapareceu no All-garve, levasse castanhada. Já a outra, a do All-garve, foi provavelmente vítima de pessoas que andaram nuas pelas praças de Albufeira, só com meias a envolver-lhes o sexo, cantando músicas napolitanas às janelas de moçoilas casadoiras. Ou isso, ou músicas da Edith Piaf, uma das duas, de certeza. Ou nas praças de Jerusalém.
Já erros assim a modos que espontâneos do género erro fatal, esta merda vai fechar e vais perder todo o trabalhinho, seu cabrão!, sucedem-se recorrentemente. Pelo menos comigo, já não poucas vezes impediu de continuar a articular uma torrente, mesmo que zinha, de parlapié, faladura, verborreia!...
Curioso o ter usado esta palavra, pois que ela usa o mesmo sufixo de outras palavras, como sejam o caso de rinorreia, gonorreia ou ainda diarreia. Curioso, porque calha eu saber que o prefixo -reia se refere a escorrimento, logo: verborreia é igual ao escorrimento do verbo, da palavra; rinorreia é igual ao escorrimento do nariz, ou rino-, daí o rinoceronte, que deve parte (a parte prefixa) de seu nome ao peculiar frontispício, embora não tenha escorrimento! E isso acho bem, porque ver um rinoceronte a usar lenços de papel mataria logo ali a magia de África, mais a da sua vida animal.
Agora, o que eu não percebo é gonorreia! O que são os gonos? Ajudantes de Pai Natal sem n? Espécie de gomas, mas com sabor a fruta? Isto até que a Wikipédia me oferece o conhecimento, qual maçã da árvore ao meio! Os gonos são, na verdade, gonococos, uma bactéria que provoca a referida DST, o que acaba por bater certo, porque, afinal, a doença resulta de se usar os cocos! A gonorreia é também conhecida por blenorragia, e isso também nos leva a pensar: é que se -ragia é um sufixo sinónimo de -reia, e quer dizer escorrimento, tal como em hemorragia (escorrer sangue), que raios são os blenos?! Enfim! Então e a diarreia? (parêntesis para dizer que este texto tem 2279 caracteres, até este ponto de interrogação, e o Word ainda não deu de si!)
Adiante, a diarreia, mas que é isso afinal? Será o escorrimento do dia? O rasto semi-líquido do Sol a passar pela esfera celeste? Não o sei, e também não há sinónimos nem Wikipédia que ajude neste caso! Esta diz-nos, apesar de tudo, que "normalmente não são graves [as diarreias] e prolongam-se pelo máximo de sete dias." Ora, se ainda fossem sete horas, seria uma coisa fodida, fedorenta e putrescível, mas não mais que isso. Sete dias a cagar de leque, à pistola, ou de esguicho, ou lá como queiram, já me parece coisa para ser chatinha e afectar um pouco o bem-estar e, quem sabe, impedir um tipo, por exemplo, de se sentar à frente do PC a ler isto! O que seria, sem margem para dúvidas, uma merda!
Manifestar-se-ia merdosamente a merda em não deixando ver merdas destas, no fundo.

Jovem, tens noção de que não há pinheiros desta altura...

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Árvore
do Lat. arbore
(s. f.) - grande vegetal lenhoso, cujos ramos saem a certa altura do tronco...

A Admirável História da Família Landeira

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O Quim Zé era um futeboleiro à moda antiga, daqueles que faziam o que faziam apenas pelo gozo e pelo desporto, não por avultadas somas monetárias. Era capaz de ziguezaguear impressionante, qual enguia com força de cavalo, por entre os defesas contrários e, depois de fintar o redes também, passar a bola para o lado, para outro qualquer marcar o golo, que isso era coisa demasiado aborrecida, golos de baliza aberta... Fui o melhor marcador da Liga Pintelhos à custa dele... Como eu era desajeitado, só podia ir para redes, ou para avançado mamário, o dito moço que está lá na frente, escondido, à espera de uma baliza aberta para marcar. De uma baliza aberta e de mais um passe do Quim Zé, o nosso rei das assistências. Eu era demasiado franzino para ser redes, qualquer um passava um remate por mim, ainda para mais sendo pitosga como um morcego. Tivesse ao menos as asas e o sonar... mas nem isso! Ele não, ele era o ídolo das claques, o creme na bola de berlim que pontapeávamos feitos doidos, sem esquemas tácticos. Um maradona das ruas, como devem ser os maradonas...
Não era, porém, o futebol a única modalidade que o Quim Zé praticava. Ao longo dos anos, sobretudo nos anos finais do liceu, foi desenvolvendo aptidões para o ténis, distribuindo raquetadas de mão cheia nas nalgas das moças, que gritavam sempre ‑ Seu estúpido!, e acabavam a resfolegar uma nalga contra a outra, fazendo-se passar por bojudas fêmeas, à espera que ele aproveitasse a deixa bíblica da outra face. E ele enfiava-lhes com um winning de direita ao longo do glúteo, game, set and match! E elas adoravam, mesmo que assumissem a expressão de vestais violentadas! Mas aquilo de que ele mais gostava era o bilhar de três tabelas, modalidade que praticava em pares mistos nas traseiras do ginásio. Tabela em cada amígdala e taco pelo buraco dentro... alguém lhe disse uma vez que no bilhar às três tabelas não havia buracos, e mesmo que houvesse as bolas é que entravam, mas ele limitou-se a responder ‑ E eu lá tenho culpa de ter a piça à frente dos colhões!!!
Desportista verdadeiro como era, o Quim Zé acabou por não enveredar por uma carreira profissional no mundo da bola, nem da raquete, nem do taco... Acabou mesmo a escavar buracos, mas para os lados do Nilo, em prospecções arqueológicas em busca de sarcófagos [durante todo o liceu, ele dizia que sarcófagos eram os que comiam sargos, ainda estou para perceber como é que lhe deu para ir escavar pró Egipto, para se tornar arqueólogo!, mas o mundo é mesmo assim…], nas famosas escavações do Doutor Aristides Landeira. Aristides Landeira era mesmo ele, não era nenhum velho com 60 anos e barbas brancas a cheirar a mofo de biblioteca! Quim Zé era alcunha, porque logo na apresentação dos alunos no 1º ano do liceu alguém disse, ao ouvir da boca esganiçada do tutor da turma, o professor de Matemática, por sinal, extremo e zeloso tratador de uma palmatória à moda antiga, mais ou menos das mesmas modas do jeito de praticar desporto do – Aristides António da Cunha Landeira! ‑ Eia, que Quim Zé! – vociferou, o mais grotescamente possível, o Tó, profissional do gozo, hoje artista de stand-up comedy na Igreja da Paróquia, com direito a manejar os sacramentos e tudo, o safardana do padreco! Ficou Quim Zé, pois claro... [estas historietas de alcunhas e assim soam sempre ao mesmo, mas é exactamente assim que se passam, por isso nunca soam a falso, apenas ao mesmo...]
Adiante, o Quim Zé, o Doutor Aristides Landeira, insigne arqueólogo nacional, conhecido internacionalmente pelos seus estudos sobre as civilizações pré-clássicas, em particular as dos grandes rios do Crescente Fértil [coisa admirável, ler os jornais... aprende-se coisa nenhuma, mas ganham-se excelentes expressões para usar a encher chourições de parágrafos]. Estava em busca do túmulo de um tal de faraó Pá-Txóli ou cousa que o valha. Isso de nomes nunca foi o meu forte. Infelizmente, o período de escavar estava mesmo a terminar, e em breve teriam que tapar tudo, para voltar apenas no ano seguinte, e de faraó nem sinal. Por um lance de sorte, acabaram por descobrir o tal túmulo a três dias do fecho do circo. Uma oportunidade única para entrar no mundo desse faraó esquecido no meio da magnificiência do Ramsés II, da loucura do Akhenaton, da misteriosa morte do Tuthankamon... pelo menos de entrar no túmulo, depois de limpa a entrada. Parece que foi preciso usar máscaras, que lá dentro cheirava a gás podre, e queijo com bolor, como as farpolas do Escape Remus, o tipo mais seboso e olfactivo da nossa turma, incapaz de passar uma aula de Educação Física sem deixar escapar uma granada de mostarda que nos punha sempre todos a chorar e a dar-lhe pontapés! O que, como provámos empiricamente ao longo de várias experiências não premeditadas, era pior, muito pior, porque abanava o barril gasoso do bucha e então era o caos! O caos, as faltas disciplinares e o banho de água fria como castigo!
Ao entrar, parece que não havia nada de especial dentro do espaço tumular, uma ou outra peça de mobiliário, mas tudo em materiais corriqueiros, que as coisas de oiro e pedras preciosas tinham já sido alvo da rapina de vorazes salteadores, e estariam provavelmente num museu europeu ou americano, público ou privado. Apesar disso, era uma coisa digna de se ver, pois, ao passar a mão pelas paredes logo se percebeu que estavam cobertas de pó, pó esse que cobria magníficas pinturas e escritos quase intactos... O secretário particular do Quim Zé, um escriba dos tempos modernos, coisa bem apropriada para o momento, anotou no seu agora famoso caderno as primeiras palavras que o Doutor leu directamente das paredes... – Esqueci-me das meias, pá! – Mas, doutor Landeira, que importância tem isso? Não está frio aqui dentro, e além do mais, as meias com a areia traçam a pele toda! – Mas tu estás parvo, ou fazes-te, boi? Isso é o que está aqui escrito!
Obviamente, o anónimo escriba riu-se do dito, ao que se seguiu uma das tradicionais chapadas à Quim Zé! – Estás a rir-te? Estou a dizer, está aqui escrito: Esqueci-me das meias, pá! Perante o olhar atónito do seu escravo pessoal, Aristides António da Cunha Landeira, ilustre arqueólogo luso, revelou assim ao mundo uma fabulosa descoberta: "No reinado do grande filho do deus Ámon, Txóli-Men-Ré, ao passar as colunas do templo dos mares quentes, para entrar no grande mar das águas gélidas, os aventureiros comerciantes da cidade do Sol chegaram a uma terra de homens barbudos apenas entre os narizes e as bocas, que bebiam cerveja e comiam pequenas sementes amarelas e arredondadas a que chamavam tré-moços, que lhes ensinaram a sagrada palavra Pá! E assim, no 7º ano do seu reinado, Txóli-Men-Ré mudou seu nome para Pá-Txóli, e obrigou que todas as frases que saíssem do coração dos homens pelas suas bocas haviam de terminar com essa palavra!..." Era este o início de um longo texto épico, em que se provava que não só os egípcios tinham andado por terras tão distantes como a Escandinávia, como, sobretudo, tinham passado pelo local que hoje é Portugal, onde aprenderam esse vocábulo já então tão na moda, o Pá!
O Doutor Aristides Landeira prosseguiu as suas escavações à procura de outros túmulos da época desse faraó, tentando encontrar provas inequívocas do processo de génese de tal palavra... E continua a jogar futebol aos domingos à tarde, a jogar ténis de manhã e a dar umas tacadas, mesmo atrás das pirâmides!

Carcanhol Z

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Dicionário de Biturbo #12

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nauseabunda - (subs.) tanto pode significar uma bunda que provoca náuseas, como a náusea provocada por uma bunda, conforme o contexto. (ver fig.)
Fonte: Dicionário de Biturbo - versão ilustrada (não editado)

Evangelho segundo Paula Bobone (ou qualquer outra apóstola similar)

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O Porto de Honra de Canãa
E então, na terceira soirée, organizou-se um Porto de Honra em Canãa da Galileia, uma coisa chiquérrima; e estava presente a mamã de Jesus, a tia Maria Carpinteiro dos Anjos.
E claro que a festa não ficaria completa se não tivesse sido também convidado Jesus, mais os seus amigos do squash!
Mas, oh!, a empresa de cathering era uma in-com-petente! Deram-se ao descaramento de não ter vinho suficiente, e foi então que a mamã de Jesus lhe disse:
- Que hó-rror! Acabou-se-lhes o vinho!
E disse-lhe Jesus:
- Mamã… sabe perfeitamente que isso não é da minha responsabilidade! O meu tempo ainda não chegôo.
Isso levou a um ataque de irritação na tia Maria dos Anjos:
- Ouça lá, quer levar um estalo? Ainda não chegou o seu tempo… Então e aquele Patek Philippe lindííííssimo que lhe ofereci ainda há poucos dias, quando fez 30 anos?
­- Pronto, está bem! Só para não a ter de ouvir queixar-se na volta para a mansão, deixe-me lá fazer qualquer coisa!…
Empregado!, empregado!!!
Olhe, traga lá umas ânforas de pedra, ou assim, mas nada de coisas compradas em lojas rascas, nem material de contrafacção, tudo menos contrafacção! Tenho hó-rror a contrafacção!…
Ah, volte cá! Traga isso cheio de água!…
Ah, volte cá! Pode ser água tónica, que sempre é menos popularucho…
E trouxeram as ânforas.
- Agora levai isso ao maître e desamparem-me a vista, que já estou aborrecidíssimo com isto tudo.
Logo que o maître provou a água tornada vinho, chamou o esposo e disse-lhe escandalizado:
- Todo o cavalheiro põe primeiro o vintage e, caso a festa se prolongue noite fora, e caso se beba a reserva dos melhores vinhos, ou para dar aos jornalistas do social, ou assim, sei lá, usa-se o vinho corrente, mas o senhor fez ao contrário! Que falta de chá!!!
Jesus principiou assim a sua fama em Canãa da Galileia, e manifestou a sua classe; e os seus amigos ficaram tão soberbamente fãs seus, que até começaram a andar em grupo a ouvir tudo o que ele dissesse para depois escreverem assim em diários, e livros e tal.

Top+

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Sujeito: A palavra vale prata...

Predicado: ... e o silêncio é d'oiro!

Complemento: E os discos do Tony Carreira são multi-platina!

Feriado nacional de qualquer coisa... #2

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5 de Outubro - Dia da Implantação da República Sete Mamas!

Porque cada vez há mais quem queira mamar!

[Pintura de McAndrew Sunday Rebelo Landeira]

Feriado nacional de qualquer coisa...

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5 de Outubro - Dia da Implantação do Silicone nas Mamas da República!


[Pintura de McAndrew Sunday Rebelo Landeira, nosso familiar do ramo escocês.]

Landeira Geographic #2

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Reescrevendo a história apresenta...

Os Reis Magos e seus presentes!

Desde os alvores desta era a que se acostumou chamar de cristã, as figuras míticas dos reis magos povoam o imaginário das populaças! Sobretudo pelos presentes que traziam, o ouro, o incenso, a mirra! No entanto, o Landeira Geographic descobriu a verdade [mais uma vez]!!! O que os míticos monarcas transportavam era, na verdade, ouro, incenso e migas! O problema é que as migas azedaram pelo caminho, por causa do calor da judeia, e então o pobre rei lá teve que deitar aquilo fora, e arrancar uns ramitos de umas plantas, para não parecer que tinha ido de mãos a abanar!


Landeira Geographic

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Reescrevendo a história apresenta...

A traição de Judas!

Durante os últimos dois milénios, mais pós, menos pós, julgou-se que Judas traíra Jesus por 30 dinheiros. Na verdade, a razão foi bem mais mesquinha! Tendo JC comprado, no Lidl de Jerusalém, uma caixinha de Gelatelli - mini-gelados, para a sobremesa, a verdade terrível é que... a caixa tinha apenas 12 gelados! Ora, como eram 13 à mesa, e a distribuição começa sempre pela direita, quando o trunfo sai de baixo, mas Judas estava na ponta esquerda, estilo Robben, ficou com a caixa... vazia... Tivesse JC tirado o trunfo por cima, e já tinha sido ao contrário. E tinha sido Mateus a ficar sem sobremesa! E, se calhar, a amuar! Ou tinha pedido um Cornetto!


The hoods, the hoods, the hoods are on fire! We don't need no choppers, let the mother fuckers burn! Burn!

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Porque raios ninguém se lembrou disso?

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Se a pila fungasse como o nariz, quanto tempo não poderíamos andar com as mesmas cuecas, sem ouvir reclamações de manchas? quanto tempo deixaríamos de perder a sacudir...
Evolução? Pfff...

80, sim! 8, nem por isso!

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Sujeito: Finalista do europeu... Quarto do mundial... Empates com a Arménia, Iraque e Liechtenstein...

Predicado: Somos um país sobretudo vocacionado para grandes feitos!

Complemento: Ainda bem que não fomos navegar pelo Mediterrâneo, que nem tínhamos passado de Loret del Mar...

Não é para me gabar...

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Sabedoria popular versão intelectualóide #5

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Projecções vocais de asnos são incapazes de atingir as alturas celestes!

É favor não atirar beatas...

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A aurora polar é um fenómeno óptico que se pode observar nos céus nocturnos das proximidades das zonas polares, e que consiste num brilho intenso e multicolor decorrente do impacto de partículas trazidas pelo vento solar no campo magnético terrestre. Em latitudes do hemisfério norte é conhecida como aurora boreal, nome atribuído por Galileu, em referência à deusa romana do amanhecer, Aurora, e ao seu filho, divindade dos ventos do norte, Bóreas. Ocorre normalmente de Março a Abril e de Setembro a Outubro. Em latitudes do hemisfério sul é conhecida como aurora austral, nome atribuído por James Cook, uma referência directa ao facto de estar ao sul. O fenómeno não é exclusivo da Terra, sendo também observável em outros planetas do sistema solar como Júpiter, Saturno, Marte e Vénus. Da mesma maneira, o fenómeno não é exclusivo da natureza, sendo também reproduzível artificialmente através de explosões nucleares ou em laboratório.

O urinol (ou, como é conhecido em alguns locais, localidades, vilarejos e aldeolas, assim como em certas cidades, urbes e metrópoles, órinól), não sendo um fenómeno óptico, nem sequer estético, pese embora aquela ideia peregrina de inverter a posição de um e chamar-lhe arte, é um fenómeno social, cada vez mais menosprezado (porra, eu nas aulas de matemática sempre aprendi que mais com menos dá menos, pelo que se eu conjugasse este mais com este menos deveria dizer que é um fenómeno cada vez menosprezado!!!... ou deveria ser menos prezado?! ou ainda menos menosprezado? não, isso não, que menos com menos dá mais, e aí seria dizer que é um fenómeno mais prezado, o que é mentira... acho que vou ter de parar uns minutos para tentar recuperar-me depois destas dúvidas parvas…)


tique-taque! tique-taque! tique-taque! tique-taque!

, como, aliás, a maioria dos fenómenos sociais tradicionais tem vindo a ser, e nesta maioria contam-se, a título de meros exemplos, o martini com cerveja como prefácio para um dia de burilanço, o bofetão público à pequenada sempre que eles embirram com qualquer coisa, e como bofetão entende-se aquela chapada que provoca um ecoar tremendo em qualquer local fechado, os pratos de tremoços e finos a acompanhar tardes de domingo, botas texanas e fatos de treino em plena praia, entre outros, talvez porque a populaça tem a mania de se armar em fina, e então esquece que tentar imitar os finórios resulta em comportamentos ainda mais risíveis.
Alguns povos, se não todos, criaram fórmulas e ritos de ascensão à maioridade, sobretudo para os jovens do sexo masculino, envolvendo provas de bravura, ou festarolas à maneira. Devido à grande míngua de leões em estado selvagem nas terras lusitanas, e visto que por cá ninguém curte andar a levantar cadeiras como se fossem altares da procissão da terriola, nem outras coisas do género, a ascensão do púbere mancebo a homem feito de barba rija e com autoridade para mandar uns bitaites convencionou-se como determinada por três momentos fulcrais: ir à tropa, ir às putas, conseguir mictar para qualquer urinol, seja a que altura for! Ora, esta é a ordem inversa, no sentido contrário daquele que sucede em termos cronológicos e de sequência das coisas numa linha temporal, ou seja, a derradeira etapa para se se fazer um homem é ir à tropa, para aprender a mandar uns balázios e assim, isto depois de já ter ido fornicar uma mulher que faz pelos homens, e esta expressão nem sequer é minha, é mesmo medieval, o que mostra como este costume é tão antigo, perdendo assim a virgindade, recebendo em troca a probabilidade elevadíssima de contrair uma doença venérea. Porém, o momento primordial em que um homem começa a ter responsabilidades, autoridade, o respeito dos outros, é quando começa a conseguir verter as suas urinas para um urinol. Primeiro, porque o urinol é, na sua génese, coisa exclusiva de homem; segundo, porque conseguir chegar a certa altura para abanar a tromba é sinónimo de dignidade… Não poucas vezes ouvi da boca de homens mais velhos, sempre que queria meter o bedelho num assunto de adultos: Tu calas-te que ainda nem chegas aos urinóis… Depois de mijar pela primeira vez num, é sempre a subir… tirando que, hoje em dia, não se vai às putas como antigamente, quando tal era considerado socialmente dentro das normas, quando era uma afirmação da superioridade masculina; e o regime militar deixou de ser obrigatório… pelo que, nada de putas, nada de balázios, nada de homens feitos… Mesmo os urinóis têm sido votados a uma negligência atroz, desde entupimentos de beatas e outros lixos, até limpezas tão limpas que não deixam ganhar aquela mancha amarela que tão bem os caracteriza. Já para não falar nas deturpações que constituem urinóis que vão até ao chão e coisas assim, que mais parece estarmos a mijar contra um muro, ou contra a parede! Então se até já se fazem urinóis para putos e até mulheres! Mas que raio de sociedade vem a ser esta?
E isto tudo porquê? Porque não há respeito pela tradição. Eu queria ver se o vento solar quisesse mijar contra o nosso urinol gigante, e ele estivesse cheio de beatas! É como desenhar graffitis nos Clérigos, é o que é!

Quem me mandou mexer no que estava bem?

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Sujeito: Ena, que bela festarola! Toy, Quim Barreiros... e muitos outros...
Predicado: Este Praça da Alegria no exterior não deixa de ser engraçado, ainda para mais em frente ao Mosteiro de Santa Cruz.
Complemento: O outro deve estar tão arrependidinho de ter feito o que fez à mãezinha...

Próximo 13 de Setembro, ao vivo, na Cova da Moura

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Sujeito: Já passaram três meses e ainda não encontraram a pequena Maddie.
Predicado: Mas dizem outra vez que a viram, agora na Bélgica.
Complemento: A Virgem Maria é que não anda nada contente com esta concorrência no mercado das aparições.

Que isto aqui é uma democracia, não é nenhuma bandalheira!

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Sujeito: Parece que a CIP também concorda que manter a Portela e construir mais um aeroporto é a melhor ideia.
Predicado: Não admira, é a solução que a maioria dos países desenvolvidos adopta nestes casos.
Complemento: [comentário "jocoso" envolvendo deserto, ideias, cérebro e ministros de obras públicas convenientemente censu... omitido]

Sabedoria popular versão intelectualóide #4

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A flatulência libertada durante o reinado do deus Hipnos não é posse de nenhum indivíduo!

Alguém me chegue o comando, ò faz favor!

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Estar esparramado num sofá, em frente a uma televisão, de preferência sintonizada num canal que passe apenas programas absolutamente sem interesse, é das melhores coisinhas que se pode fazer para efectuar uma lavagem ao cérebro, uma daquelas sessões de terapia que fazem esquecer todos os problemas, todos os assuntos que andam a martelar diariamente na caixa craniana, todas as coisas boas, o nosso nome, a nossa idade, que nos fazem esquecer que existimos, porque pura e simplesmente deixamos de existir durante esses momentos. A sensação de estar suspenso numa solução gasosa dos sentidos, ver e ouvir a emissão hertziana do monitor, sentir o odor e o tacto do comando, o sabor das pilhas alcalinas, sem assimilar nem compreender nada disso…
Isto, claro está, até que apareça o michael moore na imagem, facto que conduz iniludivelmente a um despertar brusco para a realidade física das coisas, nem que seja para fazer um zapping rápido, ou outra manobra evasiva, necessária perante o caos que nos assoma. Pessoalmente não tenho nada contra o tipo, até porque não me chamo clint eastwood nem defendo uma américa livre, democrática, pacífica e armada, quanto muito defendo uma colónia de sexo livre, democrático e pacífico… não obstando, porém, a umas boas palmadas; apenas acho que ele tem uma forma esquisita de escolher nomes para os filmes/documentários que realiza. Trocadilhos com escalas de medição da temperatura e datas de demolições de prédios é estranho, e não me convencem do contrário, mas jogar bowling em favor da apaixonada do pierrot, já é demais! Além de que se torna um bocadinho, mas só mesmo um bocadinho, pimba. Todas as pessoas cultas e eruditas nas coisas da sociologia e cultura popular tugas do século XX da era post-cristo (que são aqueles papeluchos amarelos em forma de cruz onde um tipo anota recados para si mesmo ou para os outros, tipo os daquela marca, a inri) sabem que o pierrot foi, e ainda é, se bem que numa escala muito menor nos dias que presentemente passam, uma das mais representadas personagens do mundo estático e patético das pequenas estatuetas cerâmicas pintadas quase sempre em tons de azul e branco, destinadas a preencher todo e qualquer espaço vazio que se possa encontrar numa estante, ou outra qualquer superfície horizontalmente plana, esses artefactos medonhos que se dão pelo nome absolutamente amaricado de bibelot! Juntamente com o naperon, ou seja, com um bocado de tecido, às vezes meticulosamente trabalhado, outras vezes nem por isso, forma uma das duplas eminentes da decoração interior de uma tradicional casa tuga de respeito. Bibelot e naperon; pano bordado com o monograma do casalito e pierrot, que dupla brutal e avassaladora! Ora, esse bastardo ícone bibelótico, através da gaja que ele curtia afinfar, mas que não quer nada com ele, servir como inspiração para nome de um filme… não fica bem, digo eu.
Antigamente, a coisa mais estranha do tipo era, para mim, aquela excitação que ele atinge, só comparável, imagino eu ao ver aquela formosura, à excitação que sentirá ao ver um leitão à bairrada ou equivalente manjar no outro lado do atlântico norte, quando se fala em canadá. Impressiona perceber como ele quase saliva ao pensar, ao afirmar, que a solução para os males do mundo reside no exemplo canadiano. Eu acho que ele fica cheio de tesão só de pensar em toronto, ou coisa que lhe valha! Tudo bem que o canadá é um país desenvolvido, com baixos índices de criminalidade e de pobreza, mas, pelo outro lado, apesar de ser o segundo país com mais quilómetros quadrados, circulares e triangulares, é também dos que tem uma percentagem de terreno habitável menor, tanto é o lago, floresta e gelo que para lá vai. Eu nem gosto de calor, mas os canadianos exageram com aquele frio. Aliás, o frio deles explica muita coisa… toda a gente sabe que a gatunagem gosta de andar ao fresco, que é como quem diz não gosta de vergar a mola, que é como quem diz gosta de coçar a micose, que é como quem diz não gosta de trabalhar, e por isso se dedica à gatunagem. No entanto, com tanto frio, nem mesmo um gajo sem vontade de burilar se dedica às coisas do roubo, furto e desvio ilícito. Com frios daqueles, eles [os canadianos] querem todos é casinha, lareira e cobertores sobre os joelhos. Ou isso, ou casinha, lareira e canzanada! E, aí, comecei a perceber a admiração do moço pelos norte-americanos de que nunca se fala. Há até quem diga que os canadianos adoram foder à canzana porque assim estão os dois virados para a televisão a ver hóquei no gelo, desporto que se resume, no fundo, a tentar vestir o máximo de roupa possível para aguentar com o fresquinho. Os jogadores dessa modalidade invernosamente olímpica querem é aquecer o lombo, o resto é tretas e extras, que dar umas galhetas num gajo pode ser divertido, desde que ele não se lembre de responder na mesma moeda, nem sequer numa ou mais moedas mais pequenas e com valor facial total menor que a moeda que se lhes dá inicialmente, aquilo a que os doutos das coisas da economia chamam troco, mas a que a populaça chamaria de mais-valia adquirida através da transmissão de bens ou serviços. Para mim, mandar um sopapo na queixada de outro tipo chega perfeitamente, passo bem sem o troco, e não ligo pevide a mais-valias.
E farmácias! Aquele país imenso tem, para lá de umas quantas pessoas a fazer feitio, muito lago, muita floresta, muito gelo, e muita farmácia! Aliás, parece-me que tudo o que vai acima da fronteira setentrional estadunidense é uma gigantesca farmácia, especializada basicamente em vender comprimidos para a tusa e pomadinhas para chegar depois às partes pudendas, ou fudengas, é como quiserem, que o word não aceita nenhuma como válida, o desgraçado!, que olvida o mais tradicional vernáculo, digo eu, pois à quantidade de comprimidos que eles vendem, bem precisam de hidratar no fim. Se não fosse a maravilha tecnológica desta era da informação, nunca teria percebido o fascínio do homem pelo canadá, essa terra de fodilhões, no fundo, gente que, resguardando-se do frio, fica em casa a fornicar que nem leões, apesar de não haver leões no país, a não ser em jardins zoológicos, mas como o rei da selva que afinal vive nas savanas, porque o primo tigre é que vive nas selvas, mas pronto, os tipos do tarzan acharam que pôr leões, elefantes africanos e outras animálias a passear em plena selva era giro, que se há-de fazer, fode umas boas dezenas de vezes num dia, pois bem, é difícil encontrar outro termo de comparação tão bom, até porque da fauna canadiana só me estou a lembrar de alces, e não quero aqui dizer que os tipos de lá são todos uns maricós cornudos… a não ser talvez os do quebec, que adoram a celine dion e outras anomalias técnicas da música internacional. Graças a essa maravilha que é o spam, pude começar a compreender melhor a mentalidade do bicho, apesar de ainda não ter chegado à parte dos títulos dos filmes, mas também não se pode pretender o universo todo de uma vez.
Claro que foder muito também tem alguns inconvenientes. Tal como dizem que foder pouco faz mal à vista, do mesmo modo que tentar que a namorada pratique o sexo oral e falhar no alvo lhe pode fazer mal à vista, também no canadá devem existir provas estatísticas de que foder em demasia pode causar problemas. Quase que apostava, se tivesse agora e aqui algum fundo de maneio para isso, que o canadá deve ser dos países com maior taxa de cancro no pulmão em todo o mundo. Ora, a umas vinte quecas por dia, vai um maço, fora o que se fume por fora [bzt!!!], e isso, acumulando, dá em cancro mais ano menos ano. Há muita gente que pensa que as preocupações ambientais, ecologistas, dos canadianos se devem a um estado avançado de consciência social, a uma mentalidade que compreende o desenvolvimento como uma coisa necessariamente sustentável nos recursos existentes, sem exageros, nem essas coisas, mas de certeza que eles andam é a ver se não poluem muito para poupar os pulmões, visto que só em cigarros já fazem mal suficiente. Até porque praticar o coito com problemas do tracto respiratório deve ser problemático… mais ou menos como nos metros apinhados de gente.
Não faço a mínima se os metros canadianos serão como os dos japoneses, esse povo maravilhoso, com uma imaginação fertilíssima, capaz de idealizar, num momento, consolas de jogos digitais extremamente avançados e viciantes, e, num outro, um animal com dezenas de tentáculos, capaz de penetrar por todos e mais alguns orifícios de uma colegial virgem. Nós, neste cantinho a oito fusos horários de distância, criámos a malha e achamos, maioritariamente, mas as maiorias são, felizmente, volúveis como alguns elementos da tabela periódica dos quais não recordo agora o nome, que a canzana já é uma coisa upa, upa! de imaginação e audácia. Deve ser porque lá o sol nasce antes que eles são assim tão à nossa frente… Basta ver o método que eles arranjaram para entulhar mais pessoas em cada carruagem de metro, aqueles homens e mulheres de luvas brancas prontos para empurrar mais e mais nipónicos para dentro da embalagem onde se sentirão como sardinhas karatecas de shaolin em lata. Cá, homens e mulheres assim aperaltados e de luvas brancas era certinho que estariam em vias de enfiar o dedo em partes obscuras da anatomia humana!
Também, verdade seja dita, cá não é preciso gente especializada e contratada para empurrar os outros para dentro do metro, porque, como as pessoas não esperam que saia quem tem de sair, elas próprias empurram quem tem necessária, urgente, valha-me-deus-que-perco-a-consulta-mente de sair do metro naquela precisa e determinada estação. Talvez seja aquele debate secular da avançada intelectualidade europeia dedicada a temas fundamentais da nossa existência como a sexualidade dos anjos, o tamanho das barbas de moisés ou a grossura da arca de noé, e que tantas mentes ocupou, mesmo gente de quem se diz serem grandes génios do velho continente, aquela ideia da natureza ter ou não horror ao vácuo, ao vazio, se a possibilidade de haver vazio é ou não real, um tema ainda hoje causa para tanta árvore abatida – o ancestral exemplo que eu mais admiro é o da mão mergulhada em água, que mal é retirada vê o seu antigo espaço ocupado de imediato pelo líquido, impedindo assim o vazio, mas parece que ninguém se deu conta da descida do nível do mesmo dentro do recipiente, digo eu, porque essa parte ninguém diz, mas adiante, que eu de filosofias pouco percebo, e ainda menos para discutir aquilo que leva os tugas a avançar peremptórios mal a porta entreabre, sem esperar quem de lá vem (apesar de tudo, sou da opinião que esta experiência da mão na água é claramente viciada, não só na análise que dela se faz, mas também nos objectos utilizados; vejam lá se quando tiram a mão do cu dos marretas ou similares bonecos, eles ficam preenchidos de alguma coisa!!!).
De facto, como a imensidão de pierrots e panos supérfluos provam bem, o tuga não gosta nada de ver espaço vazio, e não está para discussões sobre se o vazio é vazio e/ou vácuo, ou antes matéria invisível, bota um desses pendericalhos e pronto, está resolvido o assunto. Esta forma assaz prática de resolver as coisas é evidente quando o tuga decide solucionar a questão da garrafa que não consegue expelir o seu conteúdo de forma uniforme quando colocada numa posição vertical, de gargalo para baixo. Os entendidos dizem que não consegue porque à medida que o líquido sai, o ar tenta entrar para ocupar o seu lugar, na mesma proporção; ora, como não passam os dois simultaneamente, fazem-no à vez, intermitentemente, e por isso é que se formos virando a garrafa aos poucos, líquido e ar saem e entram, respectivamente, em tranquila cavaqueira, até dá para trocar uns dedos de conversa e tudo. Ora, o tuga, da mesma maneira que não está à espera dos que saem do metro e tenta passar pelo mesmo local, mas para dentro, também não está com meias medidas, e em vez de deixar a garrafa ganhar ar, e toda a gente sabe como isso avinagra o vinho, emborca logo tudo de uma vez, de golada, à homem!, à macho!
Claro, da mesma forma que foder tem custos, beber deste modo tem custos também, pois a bebedeira costuma ser péssima acompanhante do acto procriativo, e um passo em frente para chegar à estalada! Enquanto os canadianos fodem e não batem, make love and not war, os que mamam vinhaça e cervejolas e outras bebidas de baco, muitas vezes para compensar o calor, outras só porque sim, andam ao estalo, e não saltam para as cuecas das respectivas, nem que sejam respectivamente por determinado e curtissimamente delineado período de tempo! O moore é que tem razão, era pôr os países todos a temperaturas negativas, passar o hóquei no gelo a desporto mundial, e abrir imensas farmácias a vender viagra e cialis com desconto para o pessoal perder mais tempo a praticar o dito amor, e menos a bater uns nos outros… isto, claro, desde que os cigarros deixassem de provocar cancro e os filmes dele passassem a ter nomes decentes.
Enquanto isso não acontece, limito-me a mudar de canal e estupidificar novamente.

Conseguireis caminhar tal como eu, se tiverdes fé... ou muita sorte!

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Sujeito: Parece que o Bispo de Aveiro vai começar a pregar nas praias do distrito.

Predicado: É coerente; Cristo também andou muitas vezes à beira-lago a pregar.

Complemento: Só que esse conseguia caminhar sobre as águas, caso precisasse de fugir de banhistas em fúria!

(sem nome)

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Azul, eminentemente azul
a cor do céu que dizem os especialistas
Não tem cor de todo
em parte alguma conhecida da Humanidade
Não descobrimos ainda
a cura para os males do mundo mas soubemos
Roubar a sua beleza!

Aristides Sousa Landeira

Sabedoria popular versão intelectualóide #3

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Não se verifica precipitação em forma de gotículas nem a suspensão semi-transparente de H2O que poisa ao de leve nas plantas verdejantes; está, outrossim, uma assaz baixa temperatura do órgão sexual masculino!!!

How I wish, how I wish they haven't turned off the music...

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Há qualquer coisa de intrínseco, de geneticamente incontornável, na espécie humana que a leva a aspirar, a desejar constantemente a mudança, que a leva à procura de algo diferente daquilo que existe, daquilo que possui. A mudança é o motor através do qual se imprime um dinâmico movimento de evolução à espécie auto-consagrada como a mais desenvolta deste planeta.
Foi por mudar de animal quadrúpede para animal bípede que a humanidade conseguiu chegar ao ponto de foder em pé, contra a parede ou no meio da sala, pela frente e com beijinhos ou por trás e à bruta, rebentando assim com os músculos, tendões e ossos dos membros inferiores, exponenciando a venda não só de lubrificantes analgésicos, e reparem como as verdadeiras intenções e funções destes produtos se revelam através da sua classificação farmacológica, como também de anti-inflamatórios e outras pomadas para sarar as lesões de esforço… aprazível, certo, mas esforço.
Foi por ter mudado de ares, das vastidões cálidas de África para o aperto enregelado europeu, que o homem pôde desenvolver expressões hoje tão idiossincráticas (e idiotas, segundo algumas opiniões) da sua natureza, como dizer badochamente às fêmeas Estamos com frio, há?! ao ver como os seus mamilos entesados, túrgidos como pequenas colunas de betão armado, se assinalavam quais cones de sinalização por baixo das mui sensuais, embora fedorentas de almíscares bovinos, peles de bisonte. Claro que, para um hominídeo de há milhares de anos, comparar mamilos com cones de sinalização era impossível, mas, lá está, foi uma coisa que mudou, os termos de comparação. Antes, eles deviam comparar mamilos enrijecidos pelo frio com os menires, e isto bem que poderia ser a base de toda uma nova forma de entender as realizações megalíticas; hoje, comparamo-los com cones de sinalização, muito graças àquela moça, a madonna, ou com pitões de alumínio, bem hajam os ingleses por terem criado o futebol que nos proporciona tais termos comparativos.
A mudança é a esperança de muitos, é aquilo que lhes alimenta o sonho num futuro mais risonho e mais satisfatório. A esperança que eles têm em que as namoradas possam um dia mudar de ideias e aceitem experimentar sexo anal, e é a esperança das empresas produtoras de lubrificantes, para continuarem a crescer no mercado. A esperança que eles têm em que as respectivas de longa data e até que a morte os separe mudem de ideias e, sobretudo, de dieta, para que um dia possam readquirir as formas e a aparência que no passado ostentavam, e é a esperança das empresas produtoras de lubrificantes, para continuarem a crescer no mercado. A esperança que elas têm em que eles mudem um dia, e deixem de ter essas ideias, que passem a desejar só o que há, sem alternativas nem analternativas, e é a esperança das empresas produtoras de lubrificantes em que isso nunca aconteça, ou então lá vai o mercado todo à vida.
No fundo, esperar algumas mudanças é muitas vezes como esperar um milagre, é como esperar um táxi em dia de chuva, é raro, mas acontece. Ainda assim, mudar é tão natural, não tanto como a sede, mas pelo menos tanto quanto a caganeira. Um gajo, por muito que queira, não escapa a umas quantas mudanças ao longo da vida, do mesmo modo que não escapa a umas caganeiras. Então, se estiver mesmo de caganeira é que é certinho que vai ter de mudar de cuecas, se não for também obrigado a mudar de calças, depende da gravidade, potência e repentismo do esguicho.
Por mim, não gosto nada de mudar, sobretudo em coisas sérias. Não acho piada nenhuma a ter de mudar de vivo para morto, de solteiro para morto, de bêbado para morto. Isso e mudar de cuecas e camisa, que é outra coisa que me irrita solenemente. Não ao ponto de me ornar de paramentos e desatar a retolicar em latinorum, mas, ainda assim, bastante irritado! As pessoas bem dizem que estou a feder, a cheirar a cavalo, ou a outros igualmente simpáticos e malcheirosos animais de quinta, como bois e porcos, ainda para mais um cavalo impregnado de fedor a bosta, mas eu ainda sou daqueles que apreciam acordar de manhã, espreguiçar, aviar com duas farpolas no pano dos lençóis, pegar as cuecas do chão e vesti-las novamente, amarelo para a frente, castanho para trás, tudo enquanto se coça, com técnica invejável, diga-se a propósito, a tomatada. Na minha douta opinião, todo o despertar masculino que não obedeça a este ritual peca por falta de virilidade. O problema é que, na caganeira, não há tradição que resista às traçadelas na pele que nem com pó-de-talco aquilo lá vai, e um gajo lá tem mesmo de tomar banho e mudar de cuecas.
Felizmente, na maioria das situações não há necessidade nenhuma de mudar nada. Mesmo quando as pessoas chegam à minha beira e perguntam intrigadas O que estás a fazer no chão da sala, todo torto? ao que respondo com uma longa dissertação Caí!, de preferência num grunhido monossilábico. Se eu podia voltar a sentar-me no sofá? Podia. Mas se quero, se tenho necessidade imperiosa e inexorável disso? Não. Logo, não me levanto, deixo-me estar na mesma posição incómoda e capaz de adormecer a metade do corpo que ficou debaixo da outra metade, sobretudo os pés e os braços. Desde que não danifique nenhum órgão vital, tudo bem por mim. Sendo que, pelo menos até começar a cuspir sangue, é difícil perceber ao certo se danificámos ou não alguma coisa. No entanto, a vida é mesmo assim, sempre no limite do risco!
Por isso, irrita-me ver as pessoas a mudar constantemente todas as suas vidas, as suas ideias, as suas opiniões, a pousar de partido em partido em partido como um pardalito de ramo em ramo. Sempre que vejo um tipo a dar pisca para mudar de direcção, por exemplo, é certinho que buzino na hora! Se ele mudar sem avisar, buzino ainda com mais força! Arre para tanta mudança! Outro exemplo… aquele tipo do ok tele seguro ou lá como se chama a empresa, o engravatadinho, o jeitosinho, se eu o apanhasse, era certo que lhe dava um calduço, por andar sempre a pôr minhocas na cabeça do pobre senhor hábito, que tão bem estava com a vida antes de ele aparecer!
Tudo bem, eu concordo que há diversos casos em que mudar é uma coisa produtiva, como quando um tipo está, por exemplo, num café ou num restaurante, e está a rfm sintonizada. Aí, sem dúvida que dá vontade de, por todos os santinhos e anjinhos e outrosinhos deste mundo, mudar de estação emissora, quanto mais não seja para evitar ouvir, mais uma vez, a enésima vez, roxette, pausini, ramazotti ou outro monstro sagrado da música internacional escolhido para passar diariamente e várias vezes ao dia, assim ao modo de alguns medicamentos, como os anti-inflamatórios das quecas contra a banca da cozinha, na playlist do segundo canal da renascença. Eu bem sei que a laurita e o eros são italianos, mas também é exagerar, esta identificação com a renascença, mesmo que no segundo canal! Não obstante, há excepções, como quando está a passar Pink Floyd. Nesse caso, seria de bom-tom esperar pelo fim da música e, aí sim, mudar de estação. Agora, desligar a música a meio para acender a tv e botar o noticiário da sic a rolar, isso já é abuso! Ainda para mais sem aviso, como os otários que não dão pisca, capaz de originar uma indigestão a um tipo, como eu, que tenha estômago fraco para estas coisas. Pior ainda, só mesmo os ataques de pânico gerados de forma automática pelos disc jokeys (montadores de discos) dos centros comerciais, capazes de cometer o despautério de passar de Pink Floyd para bon jovi! E, mais uma vez, a meio da música! Num sítio dado à acumulação de gente medonha em gostos, musicais e não só, é a hecatombe moral! Seria como passar de Londres para Pyongyang sem passar sequer na casa de partida nem receber os 2 merréis. Uma grande entaladela, no fundo!

PS: sempre que mudei de parágrafo, fi-lo apenas porque as regras do bom e escorreito português a isso obrigam e porque sim!